quinta-feira, 22 de junho de 2017

Crianças de 30 anos

Não tenho filhos nem planos de curto ou médio prazo de botar uma criança no mundo, mas, após ler um post do colega Investir para Viver, ando me perguntando o que eu tenho que fazer, caso um dia eu vire pai, para educar Madruga Júnior de uma forma que ele não se transforme num completo paspalho, tal qual algumas pessoas que eu conheço. 

Refiro-me especificamente a alguns ex-colegas de universidade que estão com 30 anos de idade e nunca fizeram absolutamente nada de útil na vida desde que terminaram a graduação, se encaixando já há muitos anos no conceito de NEET.

Exemplos: 

Gabriel tem 31 anos e, após concluir a graduação, nunca correu atrás de nenhum emprego, estando até a presente data a depender financeiramente dos pais, que bancam a habitação, o carro, as viagens, a vida social e as extravagâncias do filhinho (PlayStation 4, aeromodelos, smart-relógio etc).

Renato concluiu a graduação sem conseguir seu lugar ao sol no mercado de trabalho. Ele passou anos a fio sem trabalhar, sempre me dizendo que estava estudando para concursos (estudar para concurso é uma atividade legítima, mas também é a desculpa oficial de muita gente desocupada). Passaram-se oito anos desde a formatura e pelo que sei Renato nunca chegou nem perto de uma aprovação. 

Esses foram apenas dois exemplos, mas eu tô pra dizer pra vocês que conheço pelo menos mais umas 5 pessoas que passaram dos 30 anos e, por mais que tentem esconder isso, não fazem absolutamente nada na vida a não ser sugar o dinheiro dos progenitores.

E olha que estou falando apenas de NEETs! Se for contar também a galera com mais de 30 que trabalha mas ainda depende de ajuda dos pais pra se sustentar, esse número aumenta vertiginosamente.  

Bebês gigantes
Por mais que Madruga Júnior ainda não exista, e pra ser sincero eu nem decidi ainda se quero ter filhos, não consigo deixar de me perguntar o que eu tenho que fazer para impedir que minha cria se torne uma dessas crianças de 30 anos que eu conheço, que simplesmente não se deram conta que a idade chegou e que viver da mesma forma que viviam quando tinham 12 anos é um constrangimento.

Tô longe de ser um "case de sucesso" do sujeito de 30 anos que está com a vida resolvida, mas pelo menos posso me orgulhar de não parasitar ninguém, cumprir com todas as minhas obrigações e ainda sobrar uma bufunfa pra aportar no fim do mês. 

Fica a pergunta no ar: como criar adequadamente um filho?

Não tenho experiência nenhuma com criação de filho, mas existem algumas coisas que o meu pai fez comigo e com meu irmão que definitivamente considero como acertos:

1) Dar a real desde cedo

Desde que eu era bem novo e não tinha nenhuma preocupação na vida, meu pai sempre soltava comentários do tipo "não tenho dinheiro pra pagar universidade particular, você vai ter que passar em pública se quiser um bom emprego" ou "um dia você vai ter que se virar sozinho, não vai ter ninguém pra pagar suas contas, fazer comida, lavar roupa". 

Esse papo em nada atrapalhou minha infância e plantou na minha cabeça a ideia de que um dia eu iria ter que me virar, e se não me virasse estaria ferrado. 

Acredito que isso me deu um bom senso de responsabilidade, coisa que as crianças de 30 anos não têm até hoje, e contribuiu pra formação do caráter. 

2) Palmadas

As punições disciplinares variavam de acordo com a gravidade do ato cometido. Atos de baixa gravidade eram punidos com esporro, de média gravidade com castigo, e de alta gravidade com a boa e velha agressão física.

Punição final
Acredito que palmada é instrumento pedagógico e deve sim ser usada em casos graves. Não consigo imaginar uma criança xingando o pai ou a mãe e sendo punido com "vai ficar sem internet!!". Esse tipo de desproporcionalidade entre ofensa e punição cria crianças de 30 anos. 

3) Carro de presente?!

Tendo crescido num ambiente de classe média, lembro-me de uma galera mais velha festejando os 18 anos. Em algum momento a festa era interrompida para dar o presente pro aniversariante. Iam todos para o meio da rua e...

Tcharam!!!!!
Lá estava um carro, algumas vezes com essa faixa escrota, outras não. 

Acredito que, se você dá pro seu filho um trambolho que custa milhares de reais, você acaba dando pra ele também um belo exemplo de como o mundo não funciona. 

Lá está o moleque, com apenas 18 anos de idade, no conforto de um passivo ambulante que ele não teria a menor condição de pagar sozinho, com gasolina e manutenção que ele provavelmente também não banca.

Que lição isso passa para um moleque ainda em formação? Pra mim isso só serve para gravar no subconsciente da pessoa que talvez a vida não seja tão difícil assim, além de colocá-la numa enorme zona de conforto que não deveria existir nessa fase de recém-adquirida maioridade.

Sei que dar um carro de presente não significa que você vai transformar seu filho numa criança de 30 anos, o processo educacional leva décadas e é muito mais complexo que isso, mas também não consigo enxergar como uma simples coincidência o fato de que os 7 NEETs que me vieram em mente enquanto eu escrevo esse post ganharam carro de presente dos pais, rs.

Como eu fiz questão de frisar desde o começo do post, eu não tenho experiência alguma com criação de filho. O que eu quis compartilhar no post de hoje são coisas que meu pai botou em prática e acho que de uma forma ou de outra me ajudaram, e que pretendo pôr em prática também caso Madruga Júnior venha ao mundo.

E vocês, quantos NEETs conhecem? Têm alguma boa dica de criação de filhos para compartilhar? Alguma coisa que ajudou a formar o seu caráter?

Aquele abraço!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sacrifício

Em um post do mês passado falei sobre Jacob, o dono do blog gringo Early Retirement Extreme, que alcançou a independência financeira de uma maneira bem pouco convencional: reduzindo drasticamente as despesas ao ponto de ele viver em um trailer, não ter carro, usar as mesmas roupas por décadas e manter uma dieta chata e repetitiva, limitada à manutenção de um corpo saudável e funcional.


O post repercutiu bastante e a ampla maioria dos comentaristas (inclusive eu) pareceu chegar ao consenso de que o estilo de vida dele é extremo demais e que viver da forma que ele vive exigiria muitos sacrifícios.

Isso me pôs a refletir sobre a questão do sacrifício, pois é algo que nós acreditamos que existe quando analisamos a vida dele, mas que ele provavelmente não sente, já que escolheu voluntariamente viver daquela forma e está acostumado com isso.

A conclusão a que cheguei é que muitas vezes o sacrifício é algo relativo e está nos olhos apenas de quem analisa a vida do outro.

Por exemplo, quando escrevi o post com cinco dicas para viver sem carro, ficou bem claro nos comentários que bastante gente considera a vida sem carro um sacrifício.

De minha parte não sinto que estou fazendo sacrifício algum, muito pelo contrário, sacrifício para mim seria adicionar em minha vida preocupações que atualmente não existem, como por exemplo lidar com imbecis no trânsito, seguro, IPVA, a manutenção da rebimboca da parafuseta que não vai sair por menos de 500 temers, o preço da gasolina e coisas do gênero.

É aí que está a grande sacada:

Não é sacrifício se você não sente que está se sacrificando
Essa questão de sacrifício é bem psicológica, e se o exemplo do carro não foi claro o suficiente, uso outro: há alguns anos atrás resolvi que não tomaria mais refrigerante. Nos primeiros meses senti que estava fazendo um enorme sacrifício ao abrir mão da coca-cola que era tão presente em minha vida, mas com o tempo essa sensação foi diminuindo até desaparecer por completo, e atualmente eu tenho tanta vontade de beber refrigerante quanto tenho de beber desinfetante (nenhuma vontade).

Ainda assim, numa festa de aniversário de criança que rolou na semana passada, uma senhora que estava sentada na mesma mesa que eu notou minhas sucessivas recusas em aceitar refrigerante toda vez que o garçom oferecia, e foi aí que ela disse:

"Nossa, não sei como você consegue não beber, guaraná é bom demais"
Aos olhos da senhora, eu estava fazendo um sacrifício ao não beber refrigerante, enquanto pra mim isso não é sacrifício algum. Mais uma vez, o sacrifício está nos olhos de quem vê.

Existem muitos outros aspectos na minha vida que certamente muita gente enxerga como se fosse um sacrifício, como por exemplo morar em apartamento pequeno, aportar mais de 50% das receitas, andar de ônibus, não ostentar, enfim, várias coisas que costumam ser vistas como privação, mas que pra mim são completamente normais e não trazem nenhuma espécie de tristeza ou desgosto.

Isso me faz pensar ainda mais sobre o estilo de vida do Jacob. Por mais que eu o considere um cara extremo, compreendo que o conceito de sacrifício é relativo e que dá sim pra ser feliz daquela forma, se você se preparar mentalmente pra isso.

Muito embora eu não queira viver a vida que ele vive, acredito que o exemplo dele serve de inspiração para romper barreiras psicológicas e sociais que podem resultar em uma vida mais simples, mais saudável e menos onerosa.

Você não precisa mudar para um trailer e viver de atum e sopa de lentilha para seguir o exemplo do Jacob, mas pode olhar a vida simples que ele leva e se questionar se muitos dos hábitos que você tem na sua vida e que lhe consomem tempo, energia, saúde e dinheiro são realmente necessários.

Aquele abraço!

domingo, 11 de junho de 2017

Seu Madruga no Twitter!

Fala, galera, tudo bem?

Criei a conta @madrugainvest no Twitter, onde pretendo divulgar os posts do blog e comentar sobre banalidades cotidianas, filmes, livros, paqueras e muita diversão.

Sei que os tempos áureos dessa rede social já passaram, mas se por algum acaso você ainda tem conta no Twitter em pleno ano de 2017, me dá uma força:


PS1: Desativei os comentários do post de hoje pois escrevi só para divulgar o meu twitter mesmo.

PS2: Post novo aqui no blog acredito que na quinta-feira que vem.

Abraço!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Presentear e ser presenteado

Quanto mais penso no assunto, menos me agrada a convenção social de dar e receber presentes em datas comemorativas (aniversário, natal etc), ou em eventos do tipo amigo oculto (amigo secreto, amigo x, ou seja lá qual nome é usado aí no lugar em que você vive).

O que era um momento mágico durante a infância veio se transformando em um fardo na vida adulta, e não somente por conta do dinheiro que se gasta.

O principal motivo da minha implicância é que não vejo correlação entre comprar presente e demonstrar estima e consideração à pessoa presenteada. Claro que eu sei que quem me presenteia está na melhor das intenções, mas não sinto que era necessário comprar alguma coisa para demonstrar isso.

Se uma pessoa que você gosta está fazendo aniversário, por exemplo, você deve lembrar da data e desejar com sinceridade que ela seja feliz e que viva por muitos anos. Por algum motivo obscuro e para a alegria dos lojistas, convencionou-se que isso não é o suficiente, e que você deve também ir no Shopping para comprar algum troço para essa pessoa.
"Te considero pra caramba, toma aqui um sapatênis" (!?)
Tenho dificuldade em entender como a monetização da relação entre o presenteante e o presenteado em datas pré-estabelecidas contribui de alguma forma para o fortalecimento dos laços entre essas pessoas.

E acreditem se quiser, também não gosto de ganhar presente.

Não gosto pois nesse mundo não há ninguém mais qualificado que eu para saber o que eu quero comprar ou não. 

Assim sendo, se eu prezo por uma pessoa, não quero que ela perca tempo e dinheiro indo comprar alguma coisa pra mim, até porque existe uma possibilidade bem grande de acabar comprando algo que eu já tenho ou que não faria a menor questão de ter.

"Ah, Madruga, mas pelo menos você ganha o presente de graça, então não reclama!"

Ganho mesmo? Será?

A convenção social de presentear outra pessoa em datas comemorativas vem com um dever de reciprocidade embutido: se Catiúcia te deu um sapatênis de R$ 118,50 no seu aniversário, você fica com um dever moral de presenteá-la em valor semelhante quando o dia dela chegar.

A não ser que Catiúcia morra ou você ligue o foda-se pra convenção social em algum momento, o que você ganha de presente acaba se transformando em um dever/compromisso futuro de gastar dinheiro presenteado a pessoa que te presenteou.

No fim das contas, com esse lance de trocar presentes você acaba ficando no zero a zero, ou talvez pior que isso, pois existe sempre um risco de você ganhar um presente que não te agrada, ou de dar um presente que não agradou a pessoa.

Nessas duas hipóteses há perda de valor e desperdício de dinheiro, pois você gastou R$ 150 e a pessoa sente que aquilo não vale nem R$ 50, ou a pessoa gastou R$ 100 e você já se imagina vendendo aquilo na OLX por R$ 25. 

"Nossa. Obrigada. Adorei."
"Madruga, pra evitar desgosto eu digo pra pessoa exatamente o que eu quero ganhar de presente e vice-versa" 

De fato essa é uma boa estratégia para evitar ganhar presente ruim ou inútil, mas analisando friamente, isso nada mais é do que vocês emprestarem dinheiro um para o outro. No seu dia você quer X e ela banca, no dia dela ela quer Y e você banca.

Existe solução?

Pra evitar todo tipo de rusga que pode decorrer das situações narradas neste post, convencionei com as pessoas próximas um pacto em que ninguém me dá presente e eu não presenteio ninguém.

Devo dizer que tá todo mundo bem satisfeito com o pacto em questão, e ninguém gosta menos um do outro por conta disso. Pelo contrário, cada um tirou dos ombros o peso de gastar dinheiro, de perder tempo caçando presente e de sentir dúvida se o presente agradará ou não.

Claro que isso só se aplica às pessoas próximas com quem tive intimidade pra tratar desse assunto. Ainda estou sujeito às convenções sociais de presentear pessoas não tão próximas, o que diga-se de passagem acontece com mais frequência do que eu gostaria.

E vocês, pessoal, o que pensam disso? Como lidam com esse tipo de coisa? 

Aquele abraço!
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