sexta-feira, 17 de março de 2017

Dois anos de blog

Fala, galera!

Estou postando hoje só para não deixar passar em branco o aniversário do blog.

Festejando na laje os 2 anos do blog
Assim como muitos de vocês, criei o blog com o objetivo de deixar registrado a minha jornada rumo à independência financeira.
  
Se você ler os 80 posts que escrevi nesses últimos dois anos, verá que iniciei o blog com R$ 30 mil, ultrapassei os R$ 100 mil, comprei um apartamento à vista no fim do ano passado e agora cá estou eu, me aproximando novamente dos R$ 30k. 

Você pode até não concordar com minhas escolhas, como muita gente não concordou quando comprei o apê, mas não pode negar que estou construindo algo duradouro, enquanto a grande maioria das pessoas que conheço queima fortunas achando que evoluir significa inflacionar o padrão de vida.


Não tenho o mesmo entusiasmo de antigamente para seguir postando, nem acho que preciso do blog para me manter firme nos meus objetivos, mas sigo escrevendo por ser um hobby, e também porque o feedback dos leitores geralmente é positivo.

Então se você aprecia este recinto, deixa aí embaixo uma mensagem, mesmo que você seja Anônimo, e mesmo que seja um simples "feliz aniversário".

Aquele abraço!

sábado, 11 de março de 2017

Seu Madruga: uma autobiografia

Olá, confrades, tudo bem?

Hoje falarei um pouco sobre mim, para que vocês conheçam melhor quem é o Seu Madruga, onde ele vive, do que se alimenta e outras coisas mais.

1) Infância

Conforme já tive a oportunidade de mencionar nos posts sobre a Vovó Safada, meu pai veio de uma família bem miserável.

Felizmente para mim, ele já tinha virado o jogo e conquistado uma condição financeira boa quando resolveu me botar no mundo.

Graças a isso, tive uma infância e adolescência bem confortável: estudei em escola particular, tive mega-drive, super nintendo, playstation, bicicleta, matrícula em natação, basquete, futsal, curso de inglês, escotismo, fins de semanas em Búzios, viagens nas férias e por aí vai. 

Como me sinto quando lembro da minha infância
Essa parte boa da vida, repleta de diversão e praticamente nenhuma responsabilidade, foi passando enquanto o Madruga adentrava na adolescência.

 2.1) Adolescência - parte mágica

Quando entrei no ensino médio, parei de estudar em escola particular e entrei em escola federal.

Tive uma vida social bem agitada e conhecia uma quantidade enorme de pessoas.

Eu era bem extrovertido e transitava livremente entre surfistas, RPGistas, góticos, funkeiros, drogadinhos, emos, playboys, metaleiros e todo tipo de grupo que existia na cidade.

Naquela época as pessoas estavam começando a usar a internet para socializar e o principal ponto de encontro virtual dos adolescentes era o canal da cidade no saudoso IRC, que chegava a ter 700 pessoas online em horário de pico.

Para quem não sabe, isso é um canal de IRC.
Eu era o fundador e principal moderador (OP) do canal em questão e, por mais que isso possa soar absolutamente ridículo hoje em dia, naquela época isso me garantiu um prestígio social monstruoso entre os jovens: muitas pessoas sabiam quem eu era sem eu sequer saber que elas existiam, desconhecidos(as) me abordavam querendo puxar papo e forçar amizade.

Nada na cidade concentrava tantos jovens num só lugar quanto o canal que eu criei, e eu sabia que poderia tirar proveito financeiro disso.

Profissionalizei a gestão do canal quando conheci um cara chamado Boi_Reprodutor. Ele era um nerdão sem vida que passava o dia e a madrugada online, além de ser um expert em IRC.

Transformei o Boi_Reprodutor em operador do canal e ele passava o dia moderando, banindo imbecis, enfim, colocando lei e ordem no chat.

Comecei a ganhar dinheiro quando Boi_Reprodutor botou um BOT no canal que fazia propagandas. Uma escola, uma pastelaria e uma sorveteria me pagavam cerca de R$ 200,00/mês cada um para que o BOT ficasse postando anúncios no canal, e eu dava 1/3 desse valor para o Boi, que era quem cuidava de tudo.

Adolescência entre os descolados
Outra coisa que eu fazia para ganhar dinheiro e que aumentou bastante meu prestígio social foi organizar shows de rock na cidade.

Com 16/17 anos, eu alugava o espaço num clube decrépito, chamava bandas da cidade e de fora que topavam tocar só pela diversão (sem cachê), colava posters em pontos de ônibus, distribuía flyers e botava o BOT do IRC para anunciar o show no canal.

Hoje percebo que isso era coisa de doido pois tudo era feito da forma mais irregular possível, mas na época eu não me importava e ganhava uns R$ 400,00 por show. Era pouco pois eu vendia ingressos baratos: me preocupava mais em garantir o sucesso do evento do que ganhar dinheiro.

Lucrando com a diversão alheia

Naquela época todo mundo era menor de idade então ninguém tinha carro ou muitas riquezas para ostentar. O que te transformava em uma pessoa atraente mesmo era popularidade, e isso eu tinha de sobra.

Por conta disso, e também por não ser um cara feio, eu atraía bastante mulheres. Depois de um tempo deitando e rolando nas menininhas, uma em específico roubou o coração do jovem Seu Madruga: Hajna, uma húngara de 15 anos que estava fazendo intercâmbio de 1 ano no Brasil.

Cabelos castanhos claros e sedosos, olhos verdes, rosto perfeitamente simétrico, pele tipo comercial de Monange, um corpo na medida certa, origem exótica, idioma estranho com 44 letras no alfabeto, enfim, era uma pessoa muito interessante e que chamava a atenção por onde passava.

Complicado

Era uma vida excelente e toda vez que penso no passado sinto uma enorme nostalgia. Eu sentia que nada para mim era impossível e que eu me tornaria um adulto bem sucedido, pois por algum motivo tudo conspirava ao meu favor.

Como eu imaginava que meu futuro seria
2.2) Adolescência - parte bosta

Era 2004 e de repente ninguém mais se importava com IRC.

Os jovens estavam deslumbrados com o recém-lançado Orkut e para chat intensificaram o uso do MSN, e por conta disso o canal que eu fundei esvaziou.

Com isso, eu não conseguia mais ganhar dinheiro com anúncios, nem popularidade por ser o dono do canal da cidade.

A queda da popularidade do canal foi enorme e o quadro parecia irreversível. Dei o canal para Boi_Reprodutor e parei de frequentar o recinto.

Eu também não tinha mais tempo para organizar os shows pois estava estudando para o vestibular, então outros moleques "roubaram" o meu protagonismo.

Para fuder o cu do palhaço de uma vez por todas, os "pais brasileiros" da Hajna descobriram o namoro comigo, comunicaram à empresa de intercâmbio, que por sua vez comunicou aos pais húngaros, que não gostaram nada da novidade e mandaram ela fazer as malas e voltar pro país dela imediatamente. 

Seu Madruga assistindo o fim de seu império adolescente
Isso tudo me incomodou e atrapalhou meus estudos.

Para agravar a situação, os meus pais resolveram divorciar justamente no meu ano de vestibular, o que atrapalhou mais ainda. 

A consequência disso é que não passei em nenhum vestibular de universidade pública no meu estado.

Eu já estava devidamente matriculado num cursinho pré-vestibular quando surgiu uma luz no fim do túnel: fui aprovado como suplente no vestibular de uma universidade federal de um outro estado.

3.1) Vida adulta - parte escrota

Meu pai havia perdido metade do patrimônio dele durante o divórcio, então não estava nem um pouco disposto a bancar a minha vida universitária em outro estado.

Contra a vontade dele, eu peguei os R$ 3 mil que juntei no auge do meu empreendedorismo-mirim e fui embora para a cidade grande, onde ficava a universidade.

Seu Madruga rumo ao desconhecido
Apesar dos baques sofridos, eu estava otimista, pois ainda era relativamente popular na cidade onde eu vivia e dessa vez estava indo rumo à cidade grande, onde eu pretendia reproduzir todo o meu sucesso que tive durante a adolescência.

Faria mil amigos, arranjaria um emprego legal, frequentaria as festas da universidade, enfim, era uma cidade de milhões de pessoas, então o céu era o limite.

Só que a realidade veio e me deu um tapa na cara
Depois de uma semana dormindo em um albergue na cidade grande, arranjei um lugar para morar: um quartinho nos fundos da casa de uma idosa, próximo à universidade.

Não consegui interagir bem com as pessoas da cidade grande pois todo mundo que eu conversava já tinha seus respectivos grupos de amigos, e ninguém parecia muito disposto a acolher um forasteiro.

Também percebi que eu não era a pessoa excepcional que eu sempre achei que fosse, e a real é que ninguém na nova cidade parecia estar interessado em me conhecer ou sequer ouvir o que eu tinha para dizer.

Naquele momento a minha prioridade era arranjar um emprego, mas eu não tinha experiência, nem referência, nem absolutamente nada para escrever no currículo além de "ensino médio completo".

Arranjei trabalho numa indústria de premoldados e comecei a passar em média 3 horas por dia dentro de ônibus pra ir e voltar do trabalho.

O trabalho era horroroso, sem carteira assinada, com os peões traficando drogas em meio aos blocos de premoldados.

Primeiro emprego
Eu chegava na aula fedendo, morto de cansaço, enquanto os demais alunos estavam com aquela disposição de quem não fez nada o dia todo além de assistir séries e ficar na internet fuçando a vida dos outros no Orkut.

Não consegui fazer nenhum amigo na universidade pois me sentia muito diferente deles, tanto por vir de outro estado, quanto por não ter tempo livre pra nada por conta do trabalho.

Para agravar a situação, passei a almoçar marmitas enormes compradas em restaurantes de credibilidade duvidosa, e a jantar no Restaurante Universitário, cuja qualidade da comida era igualmente ruim.

Engordei bastante por conta da alimentação precária e da solidão, e nessa altura do campeonato eu era não só o excluído da sala, mas também o gordinho estranho com notas ruins que sempre sobrava na hora dos trabalhos em grupo, e que sempre era alvo de chacota toda vez que os professores divulgavam os resultados das provas.

Banhas. Era só o que me faltava.
Foram anos vendo a vida passar, trancado no quartinho que eu havia alugado no fundo da casa de uma velha mau-humorada. Todo mundo na universidade parecia estar vivendo a vida loucamente, enquanto eu era escravo do trabalho, do cansaço, da falta de dinheiro, das notas ruins, da completa exclusão social e das gordices.

Nessa altura do campeonato eu já tinha feito as pazes com o meu pai, mas ele sabia que eu estava trabalhando e me sustentando na cidade grande, então ele não me ajudava financeiramente, provavelmente porque não sabia que na verdade eu estava no fundo do poço.

Passei a visitar bem pouco a cidade do interior, pois não queria ser visto pelas pessoas de lá com aquele peso todo, parecendo o Faustão antes da cirurgia bariátrica, e também porque eu raramente tinha grana para pagar a passagem de ônibus.

Seu Madruga
Minha situação só começou a melhorar quando consegui um estágio numa repartição pública e larguei a indústria de pré-moldados.

O estágio pagava muito bem ao ponto de eu conseguir me sustentar, e só exigia que eu trabalhasse meio período.

Graças a isso consegui ter tempo livre e passei a frequentar a academia de segunda à sábado. Colocava o CD "Alive 2007" do Daft Punk e fazia no mínimo 1 hora por dia na esteira.

Vai gordinho
Queimei 34kg de banha nessa brincadeira e fiquei 10kg abaixo do meu peso ideal. Fiquei parecendo o Cazuza com aids e comecei a trabalhar para ganhar massa magra.

Minhas notas na universidade melhoraram bastante e isso deixou de ser uma preocupação.

Apesar do esforço na academia e nos estudos, a minha dedicação estava mesmo era no estágio. Comparado com o meu emprego anterior, o estágio era o paraíso na terra.

Conforme já contei no post "O estagiário cara de cu e o poder do networking", no estágio eu tive a oportunidade de conhecer bastante gente, e fiz o máximo possível para cair na graça dessas pessoas. Como eu não tinha vida social alguma, eu dedicava bastante tempo ao estágio e às pessoas que eu conhecia lá.

3.2) Vida adulta - parte boa

Concluí a graduação com ótimas notas e graças aos meus relacionamentos no estágio recebi três propostas de trabalho.

Uma dessas propostas consistia em abrir a empresa no qual sou sócio até hoje.

Os primeiros anos de empresa foram bem complicados, mas não vou entrar em detalhes pois esse post ficaria ainda maior do que já está.

Fiz um amigo na academia e graças a ele comecei a ter vida social. Saíamos todos os fins de semana para as calouradas e festas dentro do campus da universidade em que estudei.

Calouradas
Eu não tinha muita lábia, mas estava no auge da minha forma física e isso ajudava bastante. Levava vários foras numa noite, mas não me deixava abalar e ia tentando até encontrar alguma interessada. Toquei o terror nesse período, seduzi muitas moças, parti corações, fui babaca com meninas legais, fui legal com meninas babacas, enfim, foi uma loucura em que eu compensei anos de quase-celibato.

O Orkut era pura decadência e o Facebook já estava fazendo sucesso nessa época, quando fui adicionado por Hajna, a húngara paixão da adolescência, que estava mais bonita do que nunca.

OPA
Comecei a bater papo com ela no MSN e combinamos de nos encontrar. Penei para juntar o dinheiro necessário e comprei a passagem aérea para a Hungria.

Cheguei na Hungria sem um centavo no bolso, sério mesmo. Passei um mês na casa da família dela, sendo tratado como um rei pelos pais dela, os mesmos que anos atrás destruíram nosso namorico adolescente.

Viajei com ela por vários países da Europa de graça, tudo bancado pela família dela.

Vivi esse segundo namorico com ela sabendo que não tinha futuro, pois "as agendas não conciliavam", e relacionamento à distância é o caralho.

Voltei para o Brasil e continuei dedicado à minha empresa. Trabalhava de 8 às 19/20/21/22h e não sabia o que era fim de semana e feriado.

Enterrado em trabalho
3.3) Vida adulta - parte ótima

Meu amigo parceiro de baladas e calouradas engravidou uma mulher que ele nem conhecia direito e, como ela não abortou, ele se viu forçado a assumir a criança.

Quando a criança nasceu ele virou papai coruja e largou as baladas para tentar um relacionamento com a mãe no maior estilo "stay together for the kid".
Parabéns, papai.

Eu estava ok com isso, nessa altura do campeonato eu já tinha feito alguns novos amigos, e a real é que eu tinha enchido o saco de farrear.


Minha empresa começou a dar dinheiro e eu saí do cativeiro em que vivia nos fundos da casa da velha para alugar um apartamento. Fora isso, comecei a juntar cada centavo, para nunca mais passar pelo perrengue que passei quando trabalhava com pré-moldados.
Depois de anos tocando uma empresa que só andava de lado, finalmente dinheiro
Meu pai veio morar na minha cidade, casou novamente e teve uma filha que ainda é criança. Mora perto de mim e eu o visito semanalmente.

Arranjei uma namorada investidora, criei este blog, comprei um apartamento.

Agora, com quase 30 anos de idade, acredito ter o terreno capinado para plantar a renda passiva.

Embora meus aportes não sejam tão louváveis assim, acredito muito no potencial da minha empresa, pois tem um bom dinheiro em jogo e cedo ou tarde ele entrará no meu bolso.

Não fico ressentido com acontecimentos do passado, muito pelo contrário, tento não guardar rancor por não ver utilidade nisso.

Evito ao máximo pessoas propensas ao drama e à enrolação. Gosto de gente objetiva e que não usa mais palavras do que o necessário para passar uma mensagem. "Vá direto ao assunto" é a frase que eu mais uso fora desse blog.

Independência financeira para mim é sinônimo de liberdade para gerir o meu tempo na terra da forma que eu bem entender. Quero ter a liberdade de estar onde eu quiser, na hora que eu quiser, sem que trabalho, dinheiro ou outras obrigações me mantenham presos a uma determinada localização geográfica. Pode ser que esse conceito mude no futuro, mas no momento é assim que penso.

Esse post é um resumão de fatos relevantes da minha vida, para que vocês me conheçam melhor, pois o blog tem quase dois anos e reparei que falei muito pouco sobre mim. Muita coisa ficou de fora para não prolongar um post que já ficou bem grande.

Espero que tenham se divertido. Abraço!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Desempenho Fevereiro/2017

Fevereiro se foi e gostaria de deixar registrada a minha opinião sobre o carnaval: acho esse evento horroroso e gostaria que não existisse.

Blocos de rua são uma mistura de calor insuportável, barulho, cheiro de mijo e uma multidão de pessoas suadas roçando uma na outra.

Não entendo como alguém consegue olhar para isso e sentir vontade de estar aí no meio
O carnaval da Sapucaí, por sua vez, é a oportunidade que a Prefeitura do Rio dá para que a turma do jogo do bicho lave dinheiro e desvie dinheiro público, entregando em troca uma festa que considero bastante enfadonha.

Depois de uma hora assistindo isso, a coisa toda fica muito repetitiva
Retardados tomam conta das ruas. Pessoas que se comportam normalmente o ano inteiro sentem a necessidade de soltar a franga no carnaval, como se estivessem tentando compensar as frustrações que carregam em suas vidas.

Já presenciei todo tipo de retardo mental em carnaval. Foliões mijando na parede de prédios históricos de Ouro Preto, foliões tentando fazer um BRT tombar em Belo Horizonte, foliões mascarados se aproveitando da muvuca para cometer furtos dentro do metrô do Rio de Janeiro, e por aí vai.

Suruba no metrô
Do ponto de vista comercial, o carnaval também não me favorece.

Para a maioria dos celetistas e funcionários públicos, carnaval significa 2,5 dias e meio sem trabalhar, mas com a remuneração garantida no fim do mês.  Para mim significa 2,5 dias sem ganhar dinheiro, mesmo tendo que bancar toda a estrutura da empresa, inclusive o salário da secretária, que em vez de estar trabalhando foi para um evento do tipo "CarnaJesus".

Acadêmicos do Jesus Cristo
Enfim, estou aliviado com o fim do carnaval e em saber que não precisarei lidar com isso novamente pelo menos até o ano que vem.

Sem mais delongas, vamos ao desempenho de fevereiro:

Não tenho muito o que dizer. O aporte foi fraco pois a empresa faturou pouco, e a rentabilidade é ruim pois o dinheiro estava na poupança.

Os R$ 1,5 mil que ganhei no processo judicial citado no post retrasado só entrou na minha conta ontem, então só será contabilizado no post de desempenho do mês de março.

Por hoje é só. Vou tentar manter um post por semana neste mês de março.

Aquele abraço!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Guia Prático: ganhando dinheiro com processos judiciais

No último post comentei com vocês minhas experiências bem sucedidas com processos judiciais, em que lucrei processando empresas que de alguma maneira me sacanearam.

O post repercutiu bastante: muitos comentaristas também compartilharam suas experiências com processos na justiça, outros relataram situações em que gostariam de ter processado, mas acabaram desistindo pelos mais variados motivos.

O blogueiro Piloto Pobre contou que ganhou R$ 8 mil processando um banco
O objetivo do post de hoje é mostrar para vocês que lutar pelos seus direitos e processar empresas em um juizado especial cível ("pequenas causas") no âmbito do direito do consumidor não é nenhum bicho de sete cabeças.

Não pretendo abordar o assunto de uma maneira completíssima, pois se eu fizer isso o post vai ficar tão chato quanto uma faculdade de direito. Falarei sobre o básico, e quem tiver interesse pode pesquisar por conta própria e se aprofundar no assunto.

Sem mais delongas, vamos ao passo a passo de como processar empresas em um juizado especial cível:

1) Não seja um babaca

O que mais me motiva a processar uma empresa é a possibilidade de transformar um transtorno que ela me causou em dinheiro dentro do meu bolso. Digo isso em alto e bom som pois não há nada de errado em buscar compensação financeira quando alguém viola meus direitos de consumidor.

Mas lembrem-se de uma coisa, pessoal: para cada um dos processos que eu entrei eu tinha bons fundamentos. Essas empresas realmente me sacanearam de uma forma ou de outra, e o processo foi a solução que encontrei para virar esse jogo.

E essa é a primeira dica do dia: nunca entre com um processo sem motivo ou com motivos merdas. Processo não é loteria, justiça não é lugar para "se colar colou".

Não seja essa pessoa
2) Conheça seus direitos

Para saber se você tem ou não um bom motivo para processar uma empresa, é preciso que você conheça seus direitos. 

Para isso, leia e entenda o Código de Defesa do Consumidor. É uma lei pequena e de fácil compreensão que traz os direitos básicos do consumidor, bem como os deveres dos fornecedores de produtos e serviços.
Essa lei é tão importante para nosso dia-a-dia que deveria ser matéria obrigatória no ensino médio, mas aparentemente estudar as peculiaridades da mitocôndria é mais importante...
Com o estudo dessa lei, você já começa a ganhar o discernimento necessário para saber se está sendo vítima de uma prática abusiva por parte de um fornecedor ou não.

3) Documente tudo

Não há nada mais importante em um processo judicial do que sua capacidade de comprovar que o que você está falando é verdade.

Lembrem-se: o juiz julga com base nas provas.
Assim, se você se encontrar diante de uma situação que considera abusiva, documente a porra toda. Não jogue fora nenhum comprovante, não delete nenhum e-mail recebido da empresa, anote todos os números de protocolo de chamadas telefônicas com o SAC da empresa, enfim, colha o máximo de informações possíveis que posteriormente servirão de prova para tudo que você escrever no seu processo.

4) Conheça a dinâmica dos juizados especiais cíveis

4.1. Você não precisa de um advogado!

Você não precisa de um advogado para entrar com processo em juizado especial cível quando o valor econômico da causa for inferior a 20 salários mínimos. No entanto, se o juiz lhe der uma sentença desfavorável e você quiser recorrer, aí você terá que arranjar um advogado para apresentar o recurso. De igual maneira, se o juiz lhe der uma sentença favorável e a empresa que você processou recorrer, você precisará de um advogado caso queira apresentar resposta ao recurso dela. 

Para mais detalhes sobre como entrar com um processo sem advogado, sugiro que você procure se informar com um servidor que trabalhe em juizado especial cível na sua cidade. 

Aqui na minha cidade o juizado te dá um formulário onde você tem que descrever o que se passou da maneira mais compreensível possível, e após a descrição você deve fazer os requerimentos (danos materiais, danos morais etc). Depois disso você anexa suas provas e devolve pro servidor público. Simples assim.

4.2. Você não precisa pagar nada.

O juizado especial cível é 100% grátis até a sentença. Isso mesmo, você pode entrar com um processo sem pagar uma taxa judicial sequer. No entanto, se o juiz lhe der uma sentença desfavorável e você quiser recorrer, vai ter que pagar uma taxa recursal, além de precisar contratar um advogado para entrar com o recurso. 

Se você receber uma sentença desfavorável, recorrer e perder no recurso também, vai ser condenado a pagar honorários para o advogado da parte contrária, cujo valor será definido pelo juiz. 

Então, amigo, se você recebeu uma sentença desfavorável e não quer gastar dinheiro, a solução é simples: não recorra. O processo será arquivado e você segue com sua vida.

4.3. Fique atento aos atos judiciais

Compareça nas audiências que forem designadas, do contrário o processo será arquivado por abandono.

Geralmente você é notificado dos atos processuais relevantes por carta, mas se você não confia nos Correios eu sugiro que descubra como acompanha andamento de processo pela internet e dê aquela conferida de tempos em tempos.

5) "Madruga, achei isso tudo que você escreveu muito complicado"

Se você não está se sentindo seguro em entrar com um processo sem um advogado, a solução é simples: contrate um advogado.

Ao contratar um advogado, você pode dormir tranquilo pois repassa para um profissional todo o trabalho de entrar com o processo e acompanhá-lo até o final.
Procure um advogado de confiança
Conhecendo bem os colegas da blogosfera de finanças, imagino que boa parte das pessoas que estão lendo este post não gostaria de gastar dinheiro com um advogado, não é mesmo?

Bom, nesse caso, procure um advogado que concorde em fazer um contrato de risco

Contrato de risco é muito simples: o advogado concorda em tocar o processo para você sem te cobrar nenhum valor. Se você ganhar a ação, o advogado recebe uma porcentagem sobre o dinheiro que você efetivamente receber no processo (vocês tem que pré-combinar essa porcentagem, obviamente). 

Por outro lado, se você perder a ação, o advogado não recebe nada e literalmente trabalhou de graça (daí o nome contrato de risco).

Se você tem algum parente próximo ou amigo que é advogado, é possível que ele concorde em fechar esse tipo de contrato contigo. Advogados em início de carreira também estão bem propensos a aceitar contrato de risco.

Tem 14 advogados por metro quadrado no Brasil, então creio que você não tenha dificuldade em encontrar um. O importante é que seja alguém de confiança.
6) Finalizando o post

Demorei para entregar esse post pois escrevi ele completamente, perdi o que escrevi e tive que começar a reescrever do zero, o que me deixou bem puto. 

Juizados Especiais Cíveis são bem informais, além de não cobrarem nenhuma taxa até a sentença, nem exigirem a presença de um advogado até a sentença. Isso tem um motivo: garantir o acesso do cidadão comum à justiça. São direitos seus. Faça bom uso disso quando a oportunidade aparecer. 

Espero ter ajudado. Aquele abraço!