quinta-feira, 21 de julho de 2016

Inflação do padrão de vida e efeito Diderot

É curioso como a corrida dos ratos (ou matrix financeira, ou qualquer outra denominação que você preferir) vai sorrateiramente dominando a vida das pessoas sem que elas ao menos percebam o que está acontecendo.

A idade em que me encontro - quase 30 anos - tem me permitido assistir de camarote como pessoas da minha faixa etária vão lentamente entrando nessa dança de gastar o que ganham sem grandes preocupações.

O fenômeno inicia quando, depois de alguns anos no mercado de trabalho, o jovem adulto finalmente começa a ganhar uma remuneração que considera digna.

É nesse momento que a grande maioria das pessoas, deslumbradas com um poder de compra que nunca tiveram, querem experimentar o melhor que sua nova capacidade financeira pode oferecer, e ao proceder dessa forma entram numa espiral de consumo geralmente sem saída.

Mas não se trata apenas de uma questão de experimentar o melhor: o brasileiro médio sente uma necessidade enorme de se exibir perante terceiros, e está mais do que disposto a pagar caro pra "mostrar que está bem".

Como eu vejo o Facebook: "Olá amigos. Eu tô bem. Comentem com os outros sobre como minha vida é maravilhosa, por favor. E deem like na minha foto".
Postar seu extrato bancário no seu perfil do Facebook só faria você se passar por doido, então a forma "socialmente adequada" de massagear seu próprio ego perante terceiros não é mostrando que você tem dinheiro em espécie, e sim transformando a grana em bens materiais, como uma camisa de R$ 400,00, um carro de R$ 80 mil e ingressos de R$ 150,00 para baladinhas caras, para o deleite dos fabricantes de camisa, das montadoras e dos organizadores de festinhas.

A busca por mais conforto, o vício nos pequenos prazeres de curto prazo e a necessidade de se exibir para os outros encarece e muito o custo de vida - é a famosa "inflação do padrão de vida" - e quando a pessoa se dá conta, o que ela enxerga como sua própria vida envolve uma estrutura muito cara de se manter.


Um exemplo bem interessante da inflação do padrão de vida vem de 247 anos atrás, quando o filósofo francês Diderot escreveu um pequeno texto intitulado "Regrets on Parting with My Old Dressing Gown".

Como o texto em questão é chato pra cacete, eu prefiro resumir pra vocês do que recomendar que vocês leiam por conta própria:

Diderot estava feliz com o seu roupão velho e surrado, até que foi presenteado com um novo roupão de altíssimo nível.

"Tô chique pra caralho com esse novo roupão", pensou Diderot
Olhando ao seu redor, Diderot se deu conta de que, comparado ao seu elegantíssimo roupão novo, todas os bens dentro de sua quitinete pareciam uma grande bosta.

Sentindo-se mal por estar vestindo um roupão aristocrático enquanto vivia num cafofo cheio de móveis comidos de cupim, nosso amigo Diderot foi na Tok&Stok e comprou novos móveis, além de ter ido nas Lojas Americanas comprar novas panelas e outros utensílios domésticos.

O texto termina com Diderot se lamentando sobre como essa sua nova postura lhe entupiu de dívidas, e a conclusão apenas reforça o que ele afirma logo no começo do texto: que ele era o mestre de seu roupão velho, mas se tornou um escravo do seu novo roupão.

Botando a firula de lado, o que Diderot quis dizer é que antes ele controlava sua própria vida, mas depois se tornou escravo do novo padrão que passou a ostentar, já que manter esse padrão custa caro e lhe endivida.

Esse conto é legal porque a grande maioria das pessoas são vítimas do efeito Diderot: vão introduzindo bens cada vez mais sofisticados em sua vida, e quando menos se dão conta estão numa espiral de consumo que, como eu disse antes, costuma ser um caminho sem volta.

Para explicar de forma bem didática porque a inflação do padrão de vida costuma ser um caminho sem volta, permitam-me contar para vocês uma história real:

Uma vez um conhecido me disse: "Madruga, não tenho mais de onde cortar despesas, onde dava pra cortar eu já cortei".

Conhecendo bem a pessoa, eu poderia ter respondido: "Tem tanta despesa que você pode cortar que eu nem sei por onde começar. Troque Sky por Netflix, venda um de seus carros, venda sua moto, demita sua empregada, mande seu filho arranjar um estágio, mude para um prédio em que a taxa condominial não seja R$ 1.000,00/mês".

Essa resposta ficou só no meu pensamento. Tomado pelo bom senso, limitei-me a dizer: "pois é, não tá fácil pra ninguém", primeiro porque não queria me meter na vida dele, segundo porque o alto padrão de vida está tão fundido com a identidade dele, que ele sequer consegue enxergar aquilo tudo como despesas passíveis de serem cortadas, embora na minha perspectiva ele tivesse coisa de sobra para cortar.

"Já cortei todas as despesas possíveis"
É aí que tá o problema: o seu padrão de vida se confunde com sua identidade, e abrir mão do "padrão conquistado" traz abalo psicológico para a maioria das pessoas, que se enxergam nas posses que têm.

Agora eu lhes pergunto: a pessoa que inflou o padrão de vida está melhor do que a pessoa que não inflou, inclusive em termos de conforto? Aos olhos da sociedade a resposta é "sim, com certeza!", mas com base em uma visão mais racional, a resposta correta é não necessariamente.

Digo isso pois, pensando em termos de bem-estar, uma pessoa que mora num apartamento de 50 m² com móveis de segunda mão pode estar se sentindo bem melhor do que uma pessoa que mora em um apartamento de 150 m² com móveis planejados, por mais que a princípio isso pareça um contrassenso.

Não é um contrassenso pois a sensação de bem-estar é interior, e há quem tenha se programado para morar pequeno e esteja se sentindo bem melhor com isso do que a pessoa que inflou o padrão de vida.

Outro detalhe curioso é que, ao inflar seu padrão de vida, você tende a se sentir recompensado no curto prazo, mas no longo prazo você se acostuma com tudo que "conquistou", e ao se acostumar as suas "conquistas" não te impressionam tanto assim.

A título de exemplo: minha empresa tem uma vista privilegiadíssima, ao ponto dos clientes que aparecem por lá sempre ficarem impressionados e quererem tirar foto, inclusive conheço duas pessoas que usam fotos da vista da janela da minha empresa como wallpaper de celular.

Eu tenho consciência de que a vista é privilegiada, mas depois de cinco anos convivendo com ela é exatamente assim que me sinto toda vez que alguém aparece e solta um "caramba, que vista!":


É dizer que, mesmo tendo uma vista privilegiada no meu local de trabalho, anos convivendo com aquilo tiraram qualquer sensação de empolgação que existia dentro de mim, e o mesmo acontece com qualquer coisa relativa à inflação do padrão de vida: quando você acostuma com o padrão mais alto, a tendência é que a graça vá embora, embora o custo permaneça.

A minha vida enquanto ser produtivo tem sido uma verdadeira renúncia à inflação do padrão de vida. Desde que comecei a ganhar algum dinheiro, não busquei nada além de um teto para dormir, computador com internet e livros, isso sem a sensação de que estou fazendo um grande sacrifício.

Tirando as pequenas encrencas do dia-a-dia, eu sinto um bem-estar muito grande com a vida que levo, e posso garantir pra vocês que alguém com um padrão de vida 10 vezes maior que o meu não necessariamente está sentindo 10 vezes mais sensação de bem-estar que eu, pois não é assim que a coisa toda funciona.

Então minha dica aos amigos da blogosfera é: sempre procurem o bem-estar, mas façam isso sabendo que ele não necessariamente se encontra vinculado a um aumento no "padrão de vida", e se você sentir bem-estar sem se submeter ao efeito Diderot, você tende a ser recompensado em termos de acúmulo patrimonial.

Por fim, devo dizer que não estou de forma alguma propondo que você viva como um mendigo enquanto destina todo o seu salário à Nossa Senhora do Aporte, mas sim que pense, e pense muito, sobre a real necessidade de cada coisa que você pretende adquirir, e que reflita bastante sobre as suas necessidades, pois frequentemente mentimos para nós mesmos ao dizer que precisamos de algo só para comprar.

Aquele abraço!

61 comentários:

  1. Acho que nos últimos tempos tenho passado a impressão de pão duro exagerado por posicionar-me do modo que você explicou aqui. O conto da cigarra e da formiga também mostra bem a questão da inflação pessoal em momentos de crise que é quando as pessoas e empresas quebram por não ter racionado. A maioria das pessoas vive de salário em salário e acha que aos 65 vai se aposentar como foi com os pais. A escola e a midia desinformar muito nisso. A vida é uma guerra pra maioria e as pessoas não consideram fazer economia de guerra, aí já viu.

    O cara da primeira foto é um otário por que tirou a fofinho no carrão mas escondeu o casio g-shock de 110 reais.

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    1. Pois é, CF, os tempos são outros.

      Na época de nossos pais era mais fácil arranjar um emprego, crescer dentro dele ao ponto de poder ter casa própria, carro, capacidade financeira para cuidar de um filho e aposentadoria.

      Hoje é difícil arranjar um emprego digno, difícil crescer dentro dele, difícil conseguir aumentos, difícil conseguir reconhecimento, difícil conseguir juntar uma grana o suficiente para construir algum patrimônio e difícil aposentar!

      Mesmo assim, a maioria das pessoas que conheço e estão na minha faixa-etária, talvez por terem crescido em relativo estado de conforto, pelo visto ainda acham que vivemos na década de 60/70, e que é só ficar parado dentro de um emprego qualquer que tudo que aconteceu com os pais deles acontecerá com eles também!

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  2. Grande post Seu Madruga!!!! Só lembrando que o homem dentro de um carro esportivo foi assassinado (já era um pilantra mesmo, dando calote nas coroas e fingindo ser rico)e o indiano da terceira foto tambem teve o mesmo fim.

    http://rotadeseguranca.com.br/don-juan-do-lago-que-mantinha-relacionamentos-extraconjugais-com-socialites-de-brasiliau-e-encontrado-morto/


    "Desde que comecei a ganhar algum dinheiro, não busquei nada além de um teto para dormir, computador com internet e livros, isso sem a sensação de que estou fazendo um grande sacrifício."

    Penso exatamente como voce. Vivo de forma simples e para mim já vale. Tendo o essencial (comida, teto, internet e livros) já me sinto confortável.Claro, tenho buscado crescer mais na profissao e sempre ganhar mais e aportar mais para sair da corrida dos ratos. Não gosto de demonstrar para os outros quanto ganho, meus bens, etc. Costuma atrair inveja e sina de bandidos.

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    1. Obrigado, Victor!

      Não sabia que o homem do esportivo foi assassinado! Ostentar em país subdesenvolvido é um perigo.

      Abraço!

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  3. Excelente post, Seu Madruga! Realmente mexer no padrão de vida afeta as pessoas psicologicamente. Pode ser a pessoa mais bem sucedida, mas se for cortar despesas ela sente que está fracassando. Aliás, a maioria dos gastos supérfluos envolvem questões psicológicas... Tendemos a pensar em como as outras pessoas vão reagir a cada nova aquisição (roupa, TV, celular, carro, casa etc). Muita gente vive em função do que os outros pensam. São escravos da sociedade de consumo. Como você disse, a identidade da pessoa se confunde com o que ela consome. Para quem entrou nessa, sair não é tarefa fácil... É possível, mas a pessoa tem que reprogramar tudo em sua mente...

    Valeu!

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    1. Obrigado, Investidor de Risco.

      As pessoas realmente se tornam escravas do padrão de vida que elas alcançaram.

      Espero que isso nunca aconteça comigo, rs.

      Acho que a melhor forma de lidar com isso é não se apegando às coisas.

      Eu particularmente não tenho muito o que exibir por aí em termos de posse e estou OK com isso, e espero continuar assim, pelo bem da minha busca pela independência financeira.

      Abraço e obrigado pela visita!

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  4. Muito bom o texto, não tenho facebook nem outra rede social? Se é ruim? N sei, apenas n gosto dessas exposições desnecessária.
    Qnt ao se mostrar em ter, tive uma experiência no início do ano passado, vendi meu carro e comprei um sedan da elite (Toyota), por sinal bem visto e todos ficavam perguntando e tal, Apois uns meses vi q essa empolgação passou e fui analisar q, porra o carro tem seguro caro, manutenção elevada e me leva para o mesmo lugar que os demais, e ainda chamava muita atenção de ladrão, sem falar na desvalorização.
    Por isso so fiquei com o carro um ano, troquei por um apt mais + uma quantia.Se fui criticado? Logico muito, e varias pessoas soltava a seguinte frase,Cara vc deu seu carro e agora vai usar uma popular? Claro que sim, ambos tem ar, direção leve e me leva do mesmo jeito.

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    1. Oi Poupando do Zero.

      Eu tenho Facebook, mas somente para me comunicar com algumas pessoas via Facebook Messenger.

      Pra você ter uma ideia, eu nunca postei nada no meu Facebook desde que o criei, em 2009.

      Não posto, não curto, não compartilho.

      Meu perfil não tem foto.

      Não adiciono ninguém, e raramente sou adicionado pelos outros, pois eu nunca faço nada pra aparecer no Facebook, então as pessoas presumem que não tenho conta lá, ou que minha conta está abandonada.

      Eu acho o Facebook um ambiente bem desagradável, vejo conhecidos, amigos e familiares fazendo força pra exibir a própria vida, sinto um misto de vergonha alheia com decepção e dou log off, rs.

      Sei que nem todo mundo é assim e que provavelmente tem alguma coisa interessante no Facebook que eu estou perdendo por não acessar muito, mas em regra é um ambiente que prefiro evitar.

      O caso do carro que você contou foi muito pertinente. As pessoas acham que sempre precisam "evoluir" a cada compra de carro, e consideram que trocar um 2.0 por um 1.0, por exemplo, é uma espécie de regressão na vida.

      Bom pras montadoras, rs.

      Abraço!

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  5. "É dizer que, mesmo tendo uma vista privilegiada no meu local de trabalho, anos convivendo com aquilo tiraram qualquer sensação de empolgação que existia dentro de mim"

    Vivo exatamente a mesma situação! 5 anos com a msm vista me blindou de apreciá-la (tem dia que eu nem olho pela janela mais).

    Ao contrario de vc, nao estou sentindo mais tanta facilidade em poupar quanto antes. Estou faminto por poder utilizar meu "poder de compra". Por enquanto estou conseguindo lutar contra a matrix... Vc ate me deu ideia de um post haha

    Otimo trabalho!
    Abrcs,
    M1M

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    1. Eu sinto vontade de fazer umas viagens legais, mas é algo que pretendo fazer com bastante planejamento, e não no impulso. De resto eu não tenho vontade alguma, o que mais me agrada é ver o dinheiro rendendo rs.

      Abraço!

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  6. Meu salário é racionalmente destinado à Nossa Senhora do Aporte :P

    Não conhecia essa história do Diderot. Esse termo "Efeito Diderot" existe, ou foi vc q inventou?

    Essa frase "Não tá fácil pra ninguém" é minha resposta padrão. Outra é "A crise tá feia." A vdd é q qdo as pessoas vem reclamar pra gente sobre as dificuldades da vida, elas não querem solução. Querem só reclamar mesmo. Pq sabem q a solução corta na carne e eles não querem isso. Por isso q eu me resumo em reclamar tb. Se eu tentar me usar de exemplo de que "tem solução" só vão tentar se blindar. Cansei de ouvir "Ah, mas vc é solteiro. Assim é fácil" ou coisas do tipo. Então qdo alguém vem reclamar comigo de dificuldade financeira eu só falo q tá difícil pra todo mundo.

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    1. Excelente post madruga, muito bom mesmo...

      Eu também faço como o thiago, se reclamam da vida pra mim, eu apenas empatizo.
      Não dá pra mandar a real, eu fico morrendo de vontade de falar o que eu penso, mas tenho que ficar quieto, porque todas as vezes que eu falei, a pessoa fica na defensiva.

      Grande Abraço

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    2. Thiago, não fui em quem inventou, o termo existe há tempos e no Google você achará várias referências a ele.

      Grande Catarrento!! Bom te ver por aqui!

      Em regra eu faço como vocês dois, fico quieto pois a grande maioria das pessoas não estão prontas para ouvir a realidade.

      Abraço aos dois!

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  7. Ainda bem que penso exatamente assim. No meu emprego atual tiro exatos 3420 temers, dos quais cerca de 500 dedico para gasto pessoal e o restante aporto e pago os custos fixos(maioria educacional).

    Infelizmente meu contrato termina em setembro do ano que vem e sei que em vista da crise dificilmente arrumarei algo com salário equivalente na minha área.

    Se eu fosse um carpe diem que sai gastando a torto e a direito meu ridículo aporte(1,2k à 1,5k), estaria agora cheio de roupas de marca, carro e iphone. Já perdi as contas de quantas pessoas me questionaram o porquê de eu não ter carro.

    Pensar é libertador.

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    1. Poxa Anon, que bom que você conseguiu juntar uma grana. Setembro está logo ali, espero que encontre um trabalho que pague igual ou melhor que esse daí.

      Abraço!

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  8. Belo texto madruga, e sair deste espiral é infinitas vezes mais difícil do que se manter longe dele. Alem de "você" acostumar, as pessoas ao seu redor acostumam também (família, namorada, amigos) e ai acontece oque o -conhecimentofinanceiro- falou: -passamos por pão duro exagerado-. Escuto isso direto quando me perguntam porque saio (baladas e afins) pouco, porque não troco de carro, porque não renovo o guarda roupas e por ai em diante.

    abraço!

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    1. Você tem razão. E resumiu muito bem a mensagem do post: é mais fácil se manter longe da espiral do que tentar sair dela.

      Abraço!

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  9. "nossa senhora do aporte" Nunca vi essa frase por ai, gostei kkkkk. Nossa senhora do aporte será minha padroeira oficial de agora em diante kkk.

    Sobre as redes sociais foi uma grande sacada para seus idealizadores pois acidentalmente conseguiram extrair muito mais do que dinheiro e prestígio. Conseguiram principalmente que as pessoas pudessem trazer seus ego à tona! E isso é um baita negócio que ainda há muito a ser explorado!

    Sobre Diderot isso vai de encontro com o post que nosso amigo blogueiro “ser lixo” publicou recentemente sobre o perigo se experimentar algumas coisas.

    “quando você acostuma com o padrão mais alto, a tendência é que a graça vá embora, embora o custo permaneça.”

    Essa sua frase é muito interessante pois ela se aplica a quase tudo nessa vida. Desde a um vídeo game novo, um salário melhor remunerado ou um próprio imóvel. Eu mesmo quando queria comprar algo ficava horas, dias paquerando determinado item e quando conseguia te-lo passado alguns dias perdia o tesão. isso desde a vide game, carro, celular, notbook etc! Hoje analiso as minhas compras com mais cuidado e só adquiro se realmente for necessário, do contrário só será mera ilusão.

    Ótimo post Madruga!!!

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    1. Explorar o ego das pessoas é uma ótima forma de ganhar dinheiro.

      Transformar sua marca em sinônimo de status/poder econômico te permite vender por R$ 300,00 uma camisa que você fabricou por R$ 30,00, e o trouxa que comprou ainda sai por aí todo orgulhoso, de peito estufado.

      Abraço!

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    2. Sabe qual acaba sendo o problema Madruga? Ter uma camisa Ralph Lauren faz diferença. Os outros associam isso a sucesso. Especialmente em situações de puro preconceito como entrevista de emprego, visita a cliente, consultoria etc. Chegar de terno Armani e deixar evidente que é Armani faz toda a diferença.
      Eu nunca liguei para marcas, mas precisei desembolsar uma boa grana em roupas, relógios, sapatos de marcas para ocasiões de trabalho mesmo. Considero como investimento na carreira.
      Quanto ao texto, é notável essa necessidade de aparecer, de mostrar algo que não é, de viver no crédito rotativo. O que mais vejo é questão de carro, o camarada mora num barraco mas tem um Fusion pra rodar. Aliás, o banco tem. Ele só vai ter lá pra 2018.
      Um ponto importante para quem está tentando sair da matrix, ser controlado nos gastos, evitar comprar o último modelo, comprar o que não pode pagar é fundamental na luta contra a inflação.

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    3. Olá Anon, muito pertinente o seu comentário. De fato, por mais que sejamos desapegados em relação a marcas, há situações em que precisamos dançar conforme a música a fim de fazer valer nossos interesses, como no exemplo da entrevista de emprego que você mencionou.

      Eu tenho algumas camisas de marca que ganhei de presente, e as utilizo muito pouco (para fazê-las durar), geralmente em situações em que sei que usá-las pode me trazer algum benefício.

      Mas, regra geral, acredito que você não precisa gastar fortunas em roupas de marca para ser um cara bem vestido.

      Sobre o lance do carro eu concordo contigo, inclusive observo que o carro foi uma espécie de rito de entrada para a matrix financeira para a grande maioria das pessoas que conheço.

      Abraço!

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  10. Madruga, há o outro lado da moeda também, pessoas como nós só conseguem aportar dessa forma por ter hábitos simples. Os hábitos da maioria dos aportadores eram simples já antes de aportar, isso tem mais haver com personalidade que questões financeiras.
    Redes sociais acho que fizeram mais mal do que bem para a sociedade, além da maioria das coisas postadas alí não terem utilidade nenhuma, boa parte são mentirosas mesmo, isso acaba gerando uma certeza infelicidade e necessidade de ostentar coisas em parte de seus usuários

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    1. Bem lembrado, anon. Da minha parte, eu tinha hábitos simples porque não tinha dinheiro mesmo. Depois comecei a ganhar dinheiro, e aí estava minha oportunidade de mudar os hábitos, mas preferi mantê-los simples, pois prefiro manter meu dinheiro na minha conta do que entregar pros outros. Abraço!

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  11. Post realmente excelente. Muito acima do padrão que tenho observado na blogosfera ou mesmo neste blog.
    E não bastasse o texto com bom conteúdo, ao final sou apresentado a minha nova padroeira, Nossa Senhora dos Aportes.
    Pode escrever, essa santa vai se popularizar rapidamente entre os blogueiros de finanças.

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    1. Obrigado, Anon, pelo elogio.

      No meu caso em específico eu resolvi trocar a qualidade pela regularidade.

      Se eu fosse focar mais na qualidade do que na regularidade, faria no máximo uns cinco ou seis posts por ano, o que não vejo com bons olhos, já que o número de visitantes diminuiria, e os posts de qualidade seriam pouco vistos.

      Abraço!

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  12. Parabéns Madruga, um dos melhores textos da blogosfera nos últimos meses.

    Curti muito o "Nossa Senhora do Aporte" kkkkkkk. Nunca vi esse nome antes, e creio que você é o arauto dessa nova santa, a tanto esperada.

    Viva Nossa Senhora do Aporte.

    Mitou!

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  13. ótimo post madruga, tudo relacionado ao consumo desenfreado e como as redes sociais também influenciam nisso. Mantendo hábitos simples atingiremos a if com maior tranquilidade.

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    1. Obrigado, Jovem Frugal. Também acho que minha busca pela IF está intimamente ligada aos hábitos simples. Mais sofisticação é menos dinheiro guardado.

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  14. Que texto sensacional, parabéns Madruga!!!

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  15. Olá Madruga,

    É natural conforme a pessoa vai subindo degraus profissionalmente que ela acabe gastando mais com aquilo de que goste.

    Sair da faculdade para um emprego ou ser promovido dá um UP na renda e não vejo problema da pessoa querer morar num lugar melhor ou comprar um carro mais seguro, por exemplo.

    O importante é ter uma boa margem de segurança entre as despesas e a renda e que essa diferença seja bem investida focando na segurança financeira da família.

    Gastar é bom e traz felicidade, só que deve ser feito com responsabilidade.

    Abçs!

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    1. Olá Investidor Internacional.

      Concordo contigo, contanto que o gasto seja feito de forma pensada e planejada (com responsabilidade, como você disse), o que parece não ser o caso da grande maioria das pessoas.

      Abraço e obrigado pela visita!

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  16. Li o post ontem, contudo não comentei de imediato. Preferi ler novamente, só que realmente não tenho o que comentar. Tudo que acredito e sigo está no texto.

    Parabéns pelo excelente texto Madruga.

    Nossa senhora dos aportes será minha padroeira a partir de agora.

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  17. Excelente texto Madruga. Nossa Senhora do Aporte nos proteja! KKK

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  18. Nossa senhora do aporte esse foi boa kkkk

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  19. Fala Seu Madruga!

    Rapaz, belo texto!!

    é a tal da Corrida dos Ratos de pai rico, pai pobre, contada sob uma perspectiva atual, com a ostentação e redes sociais impactando diretamente essa visão.

    Esse Efeito Diderot foi ótimo! Vou ler mais a respeito!

    E Nossa Senhora dos Aportes... putz, bem isso mesmo..
    Eu tenho ciência que dinheiro é importante, mas realmente espero um dia não estar 'cultuando' money...

    Abraços!!

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    1. Fala, Pobre Japa, tudo bem? Quando for pesquisar sobre efeito diderot, procure também em inglês, pois encontrará mais conteúdo.

      No geral não tem nada demais nesse termo, é a famosa inflação do padrão de vida que já conhecemos bem.

      Abraço!

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  20. Ótimo texto!
    Acabo não seguindo por completo, por dois motivos: estabilidade e realização pessoal.

    Bom, quanto à estabilidade há que se observar que traz a "tranquilidade" de receber o soldo, mas a certeza de que seu salário nunca aumentará muito.

    Em relação à realização pessoal, bem observo algumas coisas. Acabo não por inflar meu custo de vida, mas me permitir alguns pequenos luxos, que considero que valem a pena, após bastante pensar.

    Comprei 3 bons calçados esse ano (ano passado nenhum), mas duram bastante, já que cuido bem deles. E são um item importante de conforto para mim, considerando a quantidade de horas que passo com eles. POrém busco clássicos, não modelos da moda "disc", "36 molas", etc...
    Hoje em dia invisto um pouquinho mais em roupa. Sigo a mesma lógica dos calçados: clássicos e sempre penso bem sobre comprar ou não.
    Além de comprar roupa boa (que dure bastante tempo), busco ajustá-las. Porém, SEMPRE penso antes que roupa eu quero, quando poderei utilizá-la, etc... Anoto e só compro bem depois. Já evitei comprar roupas que acho bonita, mas apenas numa composição e me deixaria bastante limitado.

    Assim é com meu celular atualmente, mas vou dar mais um passo para melhorar no próximo ano, diminuindo o plano. Estou pensando o mesmo em relação à TV a cabo, creio que a substituirei por Netflix.

    Na alimentação, quase nunca como fora de casa durante a semana, optando por marmita. Saudável e mais em conta. Mas quando saio, prefiro ir a um restaure melhor, apenas uma vez, do q a dois ou três meia boca, que não me deixarão satisfeito pelo preço que paguei.

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    1. Faz tempo que tô vivendo na base da marmita também. Comida de self-service em regra é carregadíssima no óleo e no sal, por mais que em alguns momentos nosso paladar nem perceba isso. Já fui muito dependente de restaurantes para os meus almoços, felizmente tomei jeito na vida.

      Eu também faço isso que você disse: penso bastante antes de comprar qualquer coisa. Comprar coisa no impulso é pra gente descontrolada, rs.

      Abraço!

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    2. Pois é. Esse ano gastei um pouco mais com roupas, mas estava precisando de um terno e de calçados (ano passado não comprei nenhum).
      Já doei as roupas mais velhas e agora estou no efeito reverso, vendendo algumas coisas mais velhas que não uso mais.

      Já está no meu blogroll amigo

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  21. Ola Madruga.

    Queria comentar com mais detalhes, pois este foi um dos melhores textos que li nos ultimos dias, muito bom mesmo.

    As ideias estao muito integradas com a minha visao e o que eu tento passar no meu blog, que e viver na simplicidade sempre.

    Eu quase entrei na Matrix, felizmente acordei a tempo, e hoje vivo bem, tranquilo.

    Abraco

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    1. Olá Viver de Construção. Obrigado pelo elogio. Eu sei que você se identificou, dá pra ver nos seus posts que pensamos da mesma forma. Abraço!

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  22. Fala Madruga!
    Já li seu blog inteiro, vc é um dos meus preferidos. Acabei de criar o meu tb, depois dá uma conferida la!

    Em relação ao efeito diderot, é isso mesmo que as pessoas fazem. Só vão despertar tardiamente.
    Abcs.

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  23. Muito legal essa fabula do Diderot! Realmente podemos nos tornar escravos dos nossos padrões de vida. E se isso se tornar nossa identidade, aí ferrou de vez.
    Namorei por um tempo uma garota muito bonita. E agora que terminamos, tenho dificuldades em me relacionar com outras garotas porque parece que só me interesso por aquelas que estão no mesmo nível ou acima da minha ex. Sei que devo rever meus critérios, mas uma força invisível faz eu continuar querendo manter esse padrão.
    Estou começando a criar esse hábito com comidas também. Tenho que repensar urgente meu modo de vida e começar a priorizar o que realmente vale a pena.

    Obrigado por seu texto!

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    1. Interessante o seu caso de inflação do padrão da namorada, rs.

      Mas eu te entendo, isso aconteceu comigo também.

      Agora o lance da comida que você mencionou é bem perigoso, comida sofisticada é cara.

      Abraço!

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    2. Investidor como está nos dias de hj ? Conseguiu sair desse padrão de mulher ? Como está se saindo? Estou na mesma situação, pois namorai uma top e não consigo abaixo e fica bem complicado.

      Inclusive gastamos bem tentando ficar melhores em todos os sentido para conseguir as melhores mulheres. O que acham vale a pena?
      O que acha disso especificamente madruga?
      Espero q vejam essa pergunta pois já faz tempo o post abcs

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  24. Beleza? Baseado nas postagens de cidades pequenas do Pobretão e do Roger da Cidadezinha montei um blog contando sobre minha batalha pra sair de SP e ir pra uma cidade pequena. Tem umas dicas de como fazer

    http://www.ahparao.com.br/

    Ass: Antidireito.

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  25. Antigamente as pessoas consumiam as coisas, hj as coisas consomem as pessoas. Sabe uma marca famosa que tem um cavalinho, que estampava as camisas discretamente? Hj este cavalinho cresceu tanto nas roupas que já já as pessoas vão sair na rua vestidas de cavalo.

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    Respostas
    1. É verdade, rs. E o curioso é que, quanto maior o cavalo, mais feia a camisa fica.

      De uns tempos pra cá ando vendo a camisa do jacaré estampando uns jacarés gigantes também...

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  26. Madruga
    Parabéns pelo blog e parabéns pelo post.
    Li, refleti e acabei de excluir meu INSTAGRAM... OBRIGADO !!!!!

    SINOP

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  27. Foi o que aconteceu comigo, e está difícil demais reverter a merda toda.

    Antes estivesse começando do zero aos 40 e poucos. Estou começando do - 91.628,51.

    Aproveito para deixar meu muito obrigado ao Itaú pelo financiamento de minha danação.

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  28. são posts como esse que tiram jovens como eu da Matrix. Se um dia eu vencer e tiver uma renda decente, já estou programado para manter o padrão de vida e direcionar todo o excedente aos aportes

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