terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Mais vivo do que nunca

Galera, passando aqui só pra avisar que estou vivo. Amanhã tirarei o dia para fuçar o blog dos colegas e ver o que perdi nesses 40 dias em que me ausentei.

Na próxima quinta-feira (22) terá post novo e será a continuação da história de Vanessa, que já vem sendo contada aqui no blog desde 2016. 

Então se você não quiser ficar completamente perdido na leitura do post que está por vir, sugiro que leia os posts antigos linkados abaixo:


Abraços e até quinta!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

#repense2018 e não seja gordo

Alguns dias atrás vi um comercial da Vivo que mostra uma mulher plus size fazendo cara de toda-poderosa enquanto exibe seu corpo curvilíneo e fala sobre como aprendeu a ser feliz apesar de sua forma física. 

Vejam com seus próprios olhos, é um vídeo curto: 


No vídeo a mulher expõe o histórico de bullying sofrido em razão de seu peso, e depois diz: "Sou gostosa pra caramba. Eu nunca achei, mas hoje em dia eu me olho no espelho e falo 'gente, que mulherão!'".

O nome do comercial da Vivo é "#repense2018: Meu corpo, minhas regras", então já dá pra ter uma noção das duas mensagens que se pretende transmitir: 

1) Você é gordo? Tudo bem! Aceite-se e seja feliz assim. 
2) A sociedade está mudando e a gordofobia não terá mais vez.


Desde quando a Vivo se importa com gordos?  A resposta é simples: desde nunca.

Acabei de passar os últimos 40 minutos olhando dezenas de comerciais da Vivo anteriores a essa campanha e na absoluta maioria das propagandas simplesmente não há gordos. A parada é tão bizarra que não há gordos nem mesmo entre aqueles figurantes inúteis que costumam aparecer no fundo dos comerciais! 

Sem brincadeira, acho que olhei uns 25 comerciais diferentes, e somente dois tinham gordos: o primeiro é o do Luiz Felipe Scolari sendo prensado por um gordo no avião, e o outro é de um gordo fazendo biquinho com uma papada de 3kg embaixo do queixo - ou seja, as únicas duas propagandas da Vivo em que gordos aparecem exploram justamente o aspecto cômico da gordice.

Tudo bem que agora nessa campanha #repense2018 um publicitário descolado percebeu que fingir que é contra gordofobia pode aumentar as vendas, mas isso não afasta a grande realidade:


Aliás, o fato de 99% dos comerciais da Vivo não terem absolutamente nenhum gordo nem mesmo como figurante demonstra que a empresa não só não se importa, como tem convicção de que ser gordo é algo indesejável, a não ser que seja para provocar risadas (vide comercial do Felipão e do gordo fazendo biquinho).

E eu sinceramente não culpo a Vivo por pensar dessa forma. Tirando o #repense2018, que como já demonstrei é pura hipocrisia oportunista da Vivo, todos os demais comerciais da empresa são um mero reflexo da percepção social que a absoluta maioria da população brasileira (pra não dizer mundial) têm sobre o assunto: ser gordo é ruim.

Podem fazer quantos comerciais quiserem fingindo que agora tá liberado ter orgulho de ser gordo, pode chorar nas redes sociais por igualdade de tratamento o quanto quiser também, a percepção do gordo como uma condição ruim não vai mudar.

Ser gordo está intrinsecamente associado com um monte de merda, como por exemplo preguiça, inatividade, desleixo, baixa atratividade, assexualidade, infelicidade, falta de higiene, insucesso, pouca saúde...

É tanto atributo negativo que uma pessoa tem muito mais a ganhar emagrecendo do que sendo o militante que luta contra o desprezo que a população mundial tem pelo sobrepeso.

Madruga, você está sendo gordofóbico
Não estou escrevendo o post de hoje para ofender ninguém. Estou apenas dando a real e dizendo o que todo mundo consciente ou inconscientemente pensa sobre o assunto: ser gordo é ruim e te associa a várias negatividades, muitas vezes de uma forma injusta, mas ninguém se importa com essa injustiça.

Se você está gordo por qualquer motivo que seja, não acredite no comercial da Vivo tentando te convencer de que está tudo bem. A Vivo só quer ganhar sua simpatia com o discurso da moda para depois tentar te convencer a trocar seu plano de R$ 49,00/mês por um de R$ 150,00.

O começo de ano é sempre uma boa oportunidade para iniciar mudanças positivas na sua vida. Se você está gordo, emagreça e viva uma vida melhor. Eu sei que não é fácil, eu particularmente já fui gordo por uns anos e sempre luto contra meu metabolismo bosta pra não voltar a ser, mas essa é uma luta que vale muito a pena.

Aquele abraço!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pobre Catarrento (2013 - 2017)

Este é o centésimo post aqui no blog e gostaria de aproveitar essa marca para prestar minhas homenagens a uma das pessoas que me inspiraram a criar o Seu Madruga Investimentos: o blogueiro Pobre Catarrento, cujo desaparecimento completa um ano nesta data. 

Na ativa desde 2013, Catarrento se tornou milionário no fim de 2015, e vinha injetando seu capital em um empreendimento imobiliário cujos detalhes desconhecemos.

Ele fez seu último post em 04/01/2017, em que demonstrou um certo desânimo com o trabalho e especialmente com o fato de que parte relevante de seu capital estava imobilizado no tal empreendimento.

No post em questão ele demonstrou também uma certa propensão a entrar menos na internet e desenvolver hobbies offline, mas nada que indicasse que jamais atualizaria seu blog novamente.

O que será que aconteceu com o Pobre Catarrento? Será que deu azar no empreendimento imobiliário e o milhão foi pro brejo? Ou será que deu tudo certo e o seu milhão duplicou, tal qual ele pretendia? Acho difícil ele voltar depois de um ano, então pelo visto jamais saberemos.

Pobre Catarrento, Pobre Requenguela, Dr. Honorários, Pobretão de Vida Ruim e dezenas de outros... assim é a blogosfera de finanças, cheia de histórias contadas pela metade.

Aquele abraço!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

2017 e a vida padrão do trintão de classe média

Em 2017 completei 30 anos e, talvez por ser uma marca simbólica na vida de qualquer pessoa, passei a prestar mais atenção no que está acontecendo ao meu redor.

Eu não sei em que fase da vida vocês leitores se encontram, mas no meu caso de recém-trintão o que aconteceu foi o seguinte: 

Quem namorava noivou e postou nas redes sociais a "foto das mãozinhas" seguida de um discursinho emocionado sobre como estão ansiosos para começar essa nova jornada.

Vi bastante essa foto em 2017.
Quem estava noivo casou, com direito a festa chique que deve ter custado algo entre R$70k e R$ 100k, e depois disso foram passar a lua de mel onde todo mundo passa lua de mel (Aruba, Curacao, Paris etc).

Outra foto que vi bastante em 2017. Uma pose-padrão que todo fotógrafo de casamento manda o noivo fazer.
Muita gente trocou um hatch por um sedã, afinal você tem 30 anos e além de sentir que merece um possante, não custa nada mostrar para a sociedade que você está bem de vida e é capaz de parcelar um carro em 30x, não é verdade?

Investe num Corolla 2018, você merece.
Quem está casado anunciou gravidez e fez "chá revelação" pra revelar pra todo mundo o sexo do bebê. 

O tal do "chá de revelação", mais uma ótima ideia pra tirar dinheiro de trouxa
Quem estava grávida pariu uma criança e deu um nome da moda tipo Enzo, Téo, Ravi e Valentina.

Quem já tinha parido há meses pagou um fotógrafo para registrar o pequeno Enzo socando um bolo ("smash the cake"), afinal você tem que ter uma foto do seu príncipe cagado no chantily. 

Agora tenho essa foto super original do meu Enzo destruindo a porra toda
Quem pariu um Enzo em 2016 pagou entre R$ 10 e 15 mil para alugar um cerimonial infantil e fazer a festa temática/gourmet de 1 aninho do príncipe. 

Com um ano de idade o príncipe Enzo tem o grau de consciência de um couve-flor e não vai guardar qualquer memória do evento, mas é importante investir numa festinha de R$ 15k pro seu pequenino, afinal todos os amiguinhos do seu Enzo tiveram uma festinha também. 

Fui em duas festas com o tema circo
Essa é a fase da vida em que me encontro, e esse é o script que todo mundo está seguindo.

Quando digo todo mundo, refiro-me à bolha em que vivo: trintões de classe média em uma determinada localização geográfica do Brasil. 

Pode ser que você não viva nessa realidade e não se identifique com o post de hoje, mas tudo bem, eu só queria dizer o que testemunhei em 2017 mesmo.

Me pergunto o que diabos faz os meus contemporâneos e conterrâneos seguirem um mesmo script. Ou eles têm medo da liberdade e encontram conforto numa vida "control c control v", ou eles nem percebem que estão vivendo uma "vida padrão", o que é ótimo pro fotógrafo, pro cerimonialista, pro agente de viagens e outros vendedores de experiências "únicas".


2017 serviu para confirmar um sentimento que eu já tinha dentro de mim: eu não quero seguir esse script. Não tenho um plano 100% definido pra minha vida, mas certamente não vai consistir em ficar pagando caro por experiências padronizadas.

Não fiz o post pra ofender casados, papais e mamães. Um dia provavelmente casarei e botarei Madruguenzo no mundo. É do script caro e escroto que estou reclamando no post de hoje, o qual eu vou me opor com bastante gosto quando se minha hora chegar.

E vocês, amigos, também percebem esses padrões na vida alheia? Como se sentem em relação a isso? 

Aquele abraço!
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