segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Crônicas da Matrix Financeira: Luísa, a musa do protelariado

Era o longínquo ano de 2005 quando Luísa chegou aos 18 anos de idade sem a menor dúvida do que queria para a vida: cursar ciências sociais.

Depois de enfrentar uma dificílima concorrência de três candidatos/vaga, Luísa obteve sua aprovação no vestibular e garantiu sua vaga na universidade federal. 

Seguindo a tradição de 12 anos atrás, Luísa comunicou sua aprovação a todos os seus amigos e amigas no Orkut, e depois entrou na comunidade mais marrenta das redes sociais brasileiras daquela época: 


No primeiro semestre letivo, a certeza de que Luísa estava no lugar certo só aumentou. 

Professores ministravam aulas sobre a contribuição de Carl Grünberg para o marxismo; o Centro Acadêmico promovia acalorados debates sobre a socialização dos meios de produção; as festinhas no campus eram cheias de gente descolada e de todas as tribos.

Finalmente Luísa encontrou seu habitat natural, sentindo-se parte de um seleto grupo de pessoas que não aceitam ser escravas do sistema capitalista e que sabem que a salvação do Brasil consiste em conscientizar as massas acerca da luta de classes.

Luísa mergulhou de cabeça na militância. Filiou-se ao PSTU; fez parte do Centro Acadêmico; visitou o assentamento do MST que tinha no interior do estado; arranjou um namorado com cabelo dreadlock e que fazia discursos inflamados; foi no Fórum Social Mundial em Porto Alegre e participou de toda e qualquer reunião, debate e protesto, embelezando o ambiente por onde passava.

No sofá tão vermelho quanto o sangue revolucionário dos bolcheviques
O problema é que o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus e gastar sua juventude sonhando com a revolução do proletariado não é lá uma boa forma de garantir estabilidade financeira no futuro.

A graduação acabou, os dias de universidade federal ficaram para trás, a vida adulta chegou e a necessidade de pagar as próprias contas veio como um tapa na cara:


Quando você é um recém-formado em ciências sociais, tem basicamente três caminhos a seguir: 

1) Arranjar um trabalho não relacionado às ciências sociais.
2) Fazer um mestrado e ganhar bolsa tipo Capes ou Faperj. 
3) Dar aula de sociologia em instituições de ensino públicas e particulares.

Luísa optou pela terceira opção, e conseguiu um contrato temporário (sem concurso) para dar aula em escolas públicas estaduais, passando assim a ensinar sociologia para a molecada que estava mais interessada em aprender a coreografia da Gaiola das Popozudas do que em prestar atenção na matéria.

Tchu tchá tchu tchá
Se você acha o seu trabalho ruim, imagine-se tendo que dar aula para crianças desinteressadas em uma escola sucateada na beira de uma favela, e depois ter que ir voando pra chegar a tempo em outra escola do outro lado da cidade, tendo esse deslocamento todo só porque a administração pública não consegue fazer algo tão simples quanto organizar os professores de forma que eles consigam trabalhar em escolas próximas uma das outras.

Assim foi a rotina de Luísa por quatro anos, não podendo mais continuar como contratada temporária do Estado pois o prazo de contrato havia chegado ao limite.

Desanimada com a carreira, Luísa optou por arranjar um trabalho não relacionado às ciências sociais. Com a ajuda do pai, conseguiu arranjar um emprego reconhecendo firmas em um cartório de títulos e documentos.

4 anos de estudo pra isso. O que será que houve com o "Ih, foi mal, a minha é federal?"
Ninguém pensa "quando crescer quero ser auxiliar de cartório e ganhar R$ 1.200,00/mês", então Luísa não estava necessariamente feliz com o rumo de sua vida profissional. Até mesmo seu ex-namorado cabelo dreadlock dos tempos de universidade estava ganhando mais que ela, e olha que o cara trabalha de garçom em um restaurante mexicano.

Se você acha que essa história caminha para um final triste, provavelmente se esqueceu que no Brasil moças bonitas como Luísa só se dão mal financeiramente se quiserem.

Aproximando-se dos 30 anos de idade, Luísa parou de dar moral pra mendigo formado em curso de hipster e passou a se preocupar mais com a estabilidade financeira dos seus pretendentes.

Ela não tardou a iniciar um relacionamento com um cara que nos tempos de universidade era conhecido pelo apelido Peitinhos, em razão de uma ginecomastia tão protuberante que nem camisas pretas escondiam suas tetinhas masculinas.

Peitinhos fez um curso de exatas e hoje é servidor público federal, ganhando em média R$ 14 mil/mês, segundo o Portal da Transparência.

O que me motivou a escrever o post de hoje foi justamente o fato de que neste feriadão andei olhando as redes sociais e vi fotos do luxuoso casamento dos dois: Peitinhos com aquela cara de "venci na vida, casei com uma mulher bonita", e Luísa com cara de princesa da Disney, certamente sentindo um enorme alívio por ter conquistado a estabilidade financeira que seus anos de esquerdismo não puderam lhe proporcionar.

Parabéns aos pombinhos (foto aleatória tirada do Google Imagens)
O ex-namorado de Luísa, por sua vez, continua trabalhando como garçom no restaurante mexicano, provavelmente ganhando uns 1.500 funaros por mês, vivendo em uma república com mais três caras e sem a carta-coringa do casamento-com-beta-rico para melhorar a condição de vida.

Pelo amor de Zapata, me dá uma gorjeta boa aí, brother.
A lição do post de hoje é: se você quiser brincar de viva la revolución enquanto deveria estar estudando, ao menos tenha certeza que você terá uma válvula de escape quando chegar na vida adulta, tal qual beleza o suficiente para arranjar um cônjuge que te sustente, ou pelo menos um pai disposto a te bancar enquanto você envelhece.

Aquele abraço!

PS: seguindo as dicas de segurança dadas por um simpático Anôn, não mencionei no post qual é o meu vínculo com Luísa. O que posso dizer é que a conheço há bastante tempo.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A era dos especialistas em nada

Há não muito tempo atrás, Márcio (nome fictício por motivos óbvios) adentrou no mundo do empreendedorismo e abriu uma tapiocaria super descolada num bairro boêmio da cidade, com direito a um ambiente retrô e uma jukebox tocando músicas de época.

Tapiocaria retrô (foto meramente ilustrativa tirada do Google Imagens)
Para ter uma estreia avassaladora, Márcio resolveu que a inauguração de sua tapiocaria seria fechada ao público.

Foram convidados apenas amigos próximos, familiares, colunistas sociais, jornalistas, blogueiras de moda, instagramers do mundo fitness (aquelas mulheres que postam foto malhando e são seguidas por milhares de pessoas), além de um ator do quinto escalão da Globo que recebe cachê para comparecer em eventos aleatórios.

Os colunistas sociais retribuíram o convite divulgando a tapiocaria "ma-ra-vi-lho-sa" nos jornais, as blogueiras do mundo fashion tiraram várias selfies no local, as instagramers fitness postaram fotos de tapioca com rúcula e tomate seco para seus milhares de seguidores admirarem, e o ator global sorriu para as fotos, embolsou seu cachê e foi embora pra nunca mais voltar.

Beba champanhe e coma canapés na exclusiva inauguração dessa elegante tapiocaria
A estratégia de marketing na inauguração deu certo. A tapiocaria passou a ficar sempre cheia, e Márcio passou a se auto-promover como empreendedor de sucesso, um jovem prodígio, um verdadeiro Jorge Paulo Lemann das tapiocas.

Com bastante culto à própria personalidade e uma ajudinha da imprensa que faz reportagem sobre qualquer bosta, Márcio logo foi alçado à posição de jovem prodígio da iniciativa privada, passando a aparecer em matérias sobre pessoas com menos de 30 anos que têm negócios de sucesso, bem como ganhando prêmios de "jovem revelação" dentro dos órgãos de classe e associações empresariais.

Em seus perfis nas redes sociais, Márcio fez jus ao seu status de "expert em empreendedorismo" e passou a ensinar aos reles mortais sobre o poder do pensamento positivo, sobre como você deve acreditar nos seus sonhos, como empreender para mudar o mundo vendendo tapioca, sair da zona de conforto, enfim, todo aquele papo chato pra cacete que todos nós já conhecemos muito bem.

Além de administrar a tapiocaria, Márcio começou a flertar com o empreendedorismo de palco
Enquanto se tornava uma subcelebridade local e espalhava a palavra do empreendedorismo com o mesmo furor que um jesuíta catequizava índios no Brasil colonial, Márcio não atentou ao fato de que sua tapiocaria estava perdendo movimento.

Não sei se em outras regiões do país é diferente, mas em regra uma tapiocaria é o tipo de lugar que você vai uma vez, pensa "ok, legal" e nunca mais volta. Foi assim que me senti quando visitei a tapiocaria do Márcio, e é assim que a absoluta maioria das pessoas provavelmente se sentiu também.

Foi só o estabelecimento do Márcio deixar de ser "a novidade do momento" que o faturamento começou a cair. Com a queda no faturamento veio a dificuldade de pagar empregados e os fornecedores, que por sua vez se negavam a continuar fornecendo os insumos até a quitação dos débitos.

Quando você tem um restaurante e fica sem crédito com os fornecedores do Ceasa, só lhe resta comprar ingredientes mais caros e menos frescos em supermercados, o que diminui ainda mais a sua margem de lucro e a qualidade das suas refeições.



Com a crescente queda no faturamento, não demorou muito tempo até Márcio não ter mais dinheiro para pagar o aluguel do lugar onde funcionava a tapiocaria, e o calote que ele deu no locador do imóvel resultou num processo de despejo e de cobrança de alugueis atrasados.

Sentindo-se encurralado por dívidas vindas de todos os lados, o jovem empreendedor de sucesso dispensou todos os funcionários, fechou as portas da tapiocaria, tornou privado seus perfis pessoais, deletou os perfis da empresa nas redes sociais e "desapareceu".

Não sei. Ninguém sabe.
Mais e mais processos judiciais pipocavam contra Márcio e sua falida tapiocaria, dentre eles ações trabalhistas ajuizadas pelos ex-empregados.

Todos os ex-empregados alegam que nunca tiveram a carteira de trabalho assinada, que não recebiam nenhuma verba trabalhista (FGTS, horas extras etc) e que recorrentemente sofriam assédio moral.

Só pra vocês terem uma ideia do alto nível de profissionalismo desse premiado empreendedor, esse é o teor de um processo de uma ex-empregada da tapiocaria que recebi pelo WhatsApp:

O mundo dá voltas, não é mesmo? Num momento o sujeito está lá falando sobre acreditar nos seus sonhos como receita garantida para o sucesso, e em questão de meses está afundado em dívidas, fugindo de credores e respondendo a todo tipo de processo, inclusive inquérito pelo crime de apalpar peitinho alheio.

Mas enfim, eu contei a aventura empresarial do Márcio pra dizer que, depois de alguns meses sumido, ele finalmente retomou com as aparições públicas, especialmente nas redes sociais.

Só que agora ele não se apresenta mais como o jovem enterpreneur de sucesso, e sim como...

Life Coach
Business Coach

Isso mesmo, Márcio agora é coach.

O camarada cujo histórico consiste em molestar garçonete, falir tapiocaria e fugir de dívidas agora está aí, pronto para te dizer como você deve viver sua vida e administrar seus negócios.

Todos os dias Márcio fala para seus seguidores sobre programação neurolinguística, como vencer desafios, aumentar produtividade, maximizar resultados de sua empresa e o caralho a quatro.

Márcio ajudando os outros com sua vasta experiência
São 13 milhões de desempregados no Brasil, dentre eles milhões de desesperados que procuram, procuram e não encontram nenhuma colocação no mercado de trabalho.

Esse cenário foi terreno fértil para proliferação dos coaches, cuja ampla maioria consiste em pessoas carismáticas que misturam autoajuda com conhecimento pseudocientífico para supostamente revolucionar a vida das pessoas que pagam por seus serviços.

Obviamente o coach te cobra uma boa quantia em dinheiro para te ajudar a "mudar para a melhor", e  é claro que se no fim das contas você não sentir nenhum resultado, é porque você não se esforçou o suficiente.

Como hoje em dia um vídeo no YouTube vale mais do que mil palavras, eu recomendo fortemente que vocês assistam os vídeos abaixo. Aviso de antemão que, apesar de serem vídeos bem curtos, são tão constrangedores que beiram o obsceno:



A absoluta falta de regulamentação sobre essa "profissão" faz com que qualquer ser humano possa se autointitular "coach".

Aliás, você pode ir mais além e se autointitular master coach, que é o que alguns já fazem para se apresentar como uma versão evoluída em relação aos coaches comuns.

Digo mais: você pode criar o Instituto Interamericano de Coaching e vender por R$ 4 mil um cursinho online de 12 horas-aula, em que quem assistir até o final receberá o certificado de Supreme Mega Coach, ou seja, quem comprar seu curso será muito mais fodão que um mero master coach.

Como vocês podem ver, o céu é o limite para a putaria quando uma profissão não tem regulamentação alguma.

Esse desconhecido fez um curso para Leader Coaching em alguma instituição que ninguém nunca ouviu falar e agora está pronto para te dar aulas de liderança
Antes de dar ouvido àquele sujeito simpático que diz que pra você conquistar o mundo basta acreditar nos seus sonhos, peço que se lembrem que o cara que está tentando te dar lições de vida pode ser um vendedor de tapioca falido que não tem autoridade alguma para te aconselhar no que quer que seja.

E o pior de tudo é que Márcio sequer é o único coach de credibilidade duvidosa que eu conheço. Conheço também uma menina que durante muito tempo trabalhava com venda de pulseiras Power Balance no mercado livre (quem se lembra desse troço?), depois casou e virou dona de casa, e agora divorciou e virou coach de emagrecimento.

E vocês, amigos? Conhecem algum coach? Já tiveram experiência com isso? Se você é coach e ficou chateado com o post de hoje, arranja uma profissão de verdade antes de dar faniquito nos comentários.

Aquele abraço!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não estou morto

Passei um tempo ausente e alguns anôns desprovidos de bons costumes se aproveitaram disso para espalhar boatos sobre minha morte, e a área de comentários do post passado se tornou um misto de gente analisando a veracidade dos boatos, gente preocupada e gente desejando que eu descanse em paz.

Não morri, apenas fiz uma pausa.

Em determinado momento me senti desinteressado em me envolver com blog, então achei que uma pequena pausa de algumas semanas seria pertinente. Nunca fui muito fã de ficar na frente do computador, então "sumir" pra mim é muito fácil.

Hoje me dei conta de que a "pequena pausa de algumas semanas" estava se transformando em três meses de completo sumiço, então desenterrei meu notebook que estava esquecido no fundo de uma gaveta e resolvi retomar os trabalhos bloguísticos.

Vou preparar um post para a próxima quinta-feira e tentar voltar a postar regularmente.

No post de hoje desativarei os comentários pois o único objetivo foi pôr fim aos boatos mórbitos que estavam rolando no post passado.

Abraço e até quinta!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na barbearia gourmetizada

Moro relativamente perto de uma universidade e todo começo de semestre acontece a mesma coisa: calouros recém-aprovados no vestibular tomam as ruas pedindo grana nos sinais e vendendo rifas, tudo com o intuito de juntar dinheiro e promover festas.

Festinhas universitárias regadas a muita paquera e azaração
No começo do mês passado estava andando rumo ao trabalho e fui cercado por cinco calouras. Elas queriam me vender rifas e usar meu suado dinheiro para financiar suas festinhas espúrias em que alguém sempre termina hospitalizado pra tomar glicose para não entrar em coma alcoólico.

Ostentei meu poderio econômico ao pagar dois reais em uma rifa e as jovens saíram do meu caminho.

Cheguei no trabalho, parei para prestar atenção na rifa e vi que eu estava concorrendo a cinco prêmios diferentes, sendo o melhor deles uma bicicleta, e o pior deles um voucher para fazer cabelo e barba de graça numa barbearia "gourmetizada".

Enfiei a rifa nas profundezas de uma gaveta e esqueci desse assunto, até que no fim do mês passado recebi uma ligação de um estranho que me deu a boa notícia: o número da minha rifa foi sorteado e eu ganhei o tal voucher da barbearia.

Essa é a maior sorte que tive em um sorteio desde que ganhei um CD do É o Tchan no Havaí em 1998, então fiquei levemente satisfeito por ter sido contemplado, mesmo que com o pior dos prêmios disponíveis.

Em 1998 ganhei esse CD. Em 2017 ganhei corte de cabelo e barba. A sorte está crescendo exponencialmente e em 2036 ganharei R$ 50,00 na raspadinha da lotérica.
Pra fazer bom uso do voucher, deixei o cabelo e barba crescerem o máximo que pude, pra chegar na barbearia com aparência do Tom Hanks naquele filme "O Náufrago".

Como eu queria chegar na barbearia
Essa é uma daquelas barbearias "gourmetizadas" que toda cidade grande tem, criadas para serem "espaços exclusivos para homens", um espaço masculino onde você pode beber cerveja artesanal ao som de blues enquanto folheia uma playboy, tudo meticulosamente planejado pra fazer o cliente se sentir especial.

É um lugar muito diferente da barbearia que eu frequento, que é um muquifo onde o dono cobra tão barato pelo corte de cabelo que ele precisa dirigir Uber na madrugada para conseguir equilibrar as contas.

E lá fui eu, pela primeira vez, rumo à barbearia gourmetizada
Cheguei lá e fui recepcionado por um cara de suspensórios e barba de lenhador, um típico hipster que expressa sua individualidade se vestindo igual a todos os outros hipsters.

Falei que ganhei um voucher na rifa e os demais hipsters que trabalhavam no recinto vieram me cumprimentar com um falso entusiasmo de doer o coração.

"Primeira vez aqui, bróder?", "Quer uma gelada?", "Senta aí, bróder, a gente já vai te atender! Quer a senha do Wifi?".

Sentei num sofá e, na falta de coisa melhor pra fazer, fiquei observando o ambiente.



A primeira coisa que me chamou a atenção, além do ambiente vintage, foi uma placa com o preço dos serviços. Corte de cabelo com tesoura + barba totalizavam R$ 100,00. Isso mesmo, amigos, 100 joesleys para cortar cabelo e barba. Ainda bem que eu tinha o voucher.

Depois disso prestei atenção na conversa entre os clientes e os hipsters que cortavam seus cabelos: "Corolla é melhor que Civic", "o segredo da boa cerveja artesanal está na acidez do lúpulo", "eu trabalho numa plataforma e chefio uma equipe de 80 homens". Só papo de homem de sucesso. 

Chegou minha vez de ser atendido e o mesmo hipster que me recepcionou passou a cortar meu cabelo.

"Curtiu o espaço, bróder?"

"Sim, legal, só o preço assustou um pouco".

"Bróder, sobre o preço... aqui tem todo um conceito, você trabalhou o dia todo, quer um lugar pra relaxar, você chega aqui, senta no sofá, toma uma gelada, ouve uma música, recebe um tratamento especial, joga conversa fora, é toda uma experiência, não é um salão comum igual esses que tem por aí, aqui tem esse lance da experiência".

A tal da experiência que supostamente justifica o preço dos salões gourmetizados para homens

Concordei com o cabeleireiro hipster em nome da diplomacia, afinal estava ganhando corte de cabelo e barba de graça, então achei mais sensato usufruir do serviço sem ficar contrariando o camarada.

Cabelo cortado e barba feita, me preparei para ir embora e o hipster perguntou se eu ia voltar no mês que vem para cortar de novo. Eu respondi que ia voltar assim que ganhasse outro voucher, ele riu achando que era piada, eu me despedi e fui embora.

Adeus para sempre, barbearia gourmetizada
Fui andando pra casa pensando nesse lance da experiência.

Toda cidade grande já tem as suas barbearias gourmetizadas para homens, o que é um forte indício de que muita gente quer sim viver a tal da experiência que esses locais oferecem.

Paga-se o dobro, talvez o triplo do preço, pra sentar num sofá estilizado em um ambiente vintage, comprar uma cerveja a preço extorsivo e ficar lá se sentindo mais másculo enquanto relaxa com os miguxos do clube do bolinha.

Gourmetizaram a barbearia para atender à demanda de homens que precisam se sentir especiais até mesmo na hora de cortar o cabelo.

Amigo, é só cabelo! Você chega, corta, paga e vai embora. Que carência é essa que a galera está sentindo pra pagar mais caro pra transformar algo tão simples numa "experiência masculina"?

Isso me parece apenas mais uma armadilha pra pegar dinheiro de trouxa. Algo não muito diferente de pipoca gourmet, Uber Select e outras coisas inventadas para fazer a rapaziada gastar uma grana a mais em algo que eles atingiriam o mesmo resultado final se tivessem pago mais barato, tudo isso só pra se sentir diferenciado, especial, nobre, refinado ou qualquer outro sentimento que eu não sei explicar qual é.

Aquele abraço! 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Crônicas da Matrix Financeira: Vanessa, a advogada

No post "Crônicas da Matrix Financeira: Vanessa, a assessora" eu contei para vocês sobre uma jovem moça que conseguiu um cargo comissionado em um órgão público que lhe pagava uma bela remuneração entre R$ 7 e R$ 8 mil mensais para cumprir uma carga horária de 35 horas semanais.

Com muita pressa em mostrar ao mundo seu novo poder aquisitivo, Vanessa mergulhou de cabeça na inflação do padrão de vida e saiu da casa dos pais para morar sozinha, comprou um carro 0 Km, comprou dezenas de roupas caras exibidas com orgulho nas redes sociais com a hashtag #lookdodia, frequentou restaurantes caros para compartilhar no Instagram foto dos pratos que pedia, enfim, toda aquela mediocridade e necessidade de auto-afirmação que todos nós já conhecemos muito bem. 

O revés veio quando o cara que nomeou Vanessa para o cargo comissionado morreu e foi substituído por um outro cara, que imediatamente exonerou todos os comissionados indicados pelo falecido, inclusive ela.

Como cargo comissionado não tem direito trabalhista e Vanessa em momento algum achou que fazer uma reserva de emergência seria uma boa ideia, ela ficou completamente desamparada quando foi para o olho da rua, tendo que voltar a morar com os pais, que assumiram todas as despesas da filha, inclusive as parcelas do carro, gasolina, seguro, vida social etc.

Esse foi um breve resumo do post "Vanessa, a assessora" apenas para refrescar a memória, e agora podemos finamente falar sobre o post de hoje: 

Crônicas da Matrix Financeira: Vanessa, a advogada

Assim que foi pro olho da rua e viu sua vida de "jovem de sucesso" desmoronar, Vanessa voltou a morar com os pais e assumiu o rótulo de concurseira. 

Como eu tive a oportunidade de mencionar no post "Crianças de 30 anos", estudar para concurso é uma atividade válida, mas o que não falta por aí é vagabundo se autodenominando concurseiro para esconder da sociedade o fato de que não faz nada de produtivo o dia todo.

Vanessa estudando para concursos
Vanessa não precisou fingir por muito tempo que era concurseira, pois logo no começo de 2017 conseguiu um trabalho como advogada em um escritório de advocacia gigante, desses que tem centenas de advogados e cuida de milhares de processos defendendo empresas de telefonia. 

Esse trabalho não era tão "glorioso" quanto o cargo comissionado que ela outrora ocupou, pois a remuneração era baixa (menos de R$ 1.800,00/mês) e a carga horária era alta (44 horas semanais), algo bastante comum no super prostituído mundo da advocacia.

Nem por isso Vanessa perdeu a pose, e recheou seu Facebook com selfies dentro do carro a caminho do trabalho, selfies no escritório pela manhã sempre com um copo da Starbucks estrategicamente posicionado para mostrar ao mundo como ela é cosmopolita.

Dentro e fora das redes sociais, a imagem que Vanessa queria passar era de advogada de sucesso. Enchia o peito para dizer que era chefe de uma equipe, postava fotos para mostrar que trabalhava até tarde da noite, postava foto presenteando a "equipe" com chocolate para mostrar que era uma boa chefe e por aí vai.

Já que a vida de servidora pública do alto escalão não deu certo, Vanessa assumiu a identidade de business woman cosmopolita
Quem conhece os bastidores sabe bem que a vida que Vanessa projetava para os outros era uma mentira.

Seu salário era pífio, suas horas extras aconteciam contra sua vontade, a "equipe" que ela comandava consistia em um estagiário, o cargo de "chefe" que ela usava para se referir a si própria era puro delírio, e sua situação financeira era de semi-dependência dos pais (ela bancava gasolina, seguro do carro e vida social, enquanto os pais bancavam moradia, alimentação, plano de saúde, financiamento do carro e basicamente todo o resto).

Ainda assim, o importante para Vanessa era manter a pose de "pessoa que tem tudo sob o controle" e de "profissional insubstituível", então publicamente ela agia como se adorasse aquilo tudo.

O trabalho de escravogada durou até agora, e no começo da semana passada ela foi dispensada do escritório em que trabalhava, por algum motivo que eu não sei qual é.

Para agravar a situação, Vanessa foi dispensada sem direito a nenhuma verba trabalhista pois ela estava contratada como advogada associada, que é uma figura que consegue ter menos direito trabalhista que um boliviano em regime de semi-escravidão.

Com a súbita dispensa e sem dinheiro no bolso, Vanessa confessou para a prima dela (vulgo minha namorada) que tem uma dívida de R$ 14 mil no cartão de crédito, que ela vinha refinanciado no crédito rotativo pagando sempre o mínimo todo santo mês, e que agora ela está pagando parcelado.

Como Vanessa não queria que seus pais descobrissem que essa dívida existe, ela pediu dinheiro emprestado à minha namorada para que conseguisse continuar pagando as parcelas.

A Madruguete quis minha opinião sobre o assunto e eu fiz uma longa exposição que pode ser resumida em "não empresta senão vai dar merda", e felizmente ela me escutou, então provavelmente Vanessa vai acabar jogando mais essa despesa nas costas dos pais.

O curioso é que, mesmo demitida e tendo acabado de mendigar dinheiro emprestado para pagar uma dívida de 14 mil joesleys, ontem mesmo Vanessa orgulhosamente compartilhou para a sua prima que estava comprando roupas e, quando descobriu que havia um desconto de 10% para compras acima de R$ 200,00, levou uma bermuda a mais, alcançou os R$ 200,00 e obteve o desconto em questão.

Parabéns pela economia, campeã.

Vou esperar o tempo passar e quanto tiver mais assunto escreverei a parte 3 dessa história. Pelo andar da carruagem, não vejo um futuro dos mais brilhantes para essa menina, rs.

Aquele abraço!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Sala 1: dois anos de vacância

Já contei essa história antes aqui no blog, então se você for leitor das antigas talvez se lembre.

Minha empresa alugava 3 salas comerciais, uma ao lado da outra, mais ou menos assim: 


Em junho de 2015, já com a crise no setor imobiliário comendo com gosto e placas de "aluga-se" brotando para todo o lado na paisagem urbana, a imobiliária que cuidava da sala 1 achou que seria uma boa ideia notificar minha empresa para que a gente desocupasse a sala em 30 dias, a não ser que concordássemos em reajustar o aluguel de R$ 800,00 para R$ 1.020,00.

Qual o critério para esse reajuste? Até hoje não sei. IGP-M certamente não foi. Acho que para reajustar a imobiliária utilizou o índice EAOIEFOQQ - "Eu Administro o Imóvel Então Faço o Que Quiser". 

Não concordamos com o reajuste e começamos a preparar a desocupação da sala 1, o que deu uma trabalheira do cão, especialmente com esse lance de mudar a porta de vidro de lugar.

Percebendo que a gente não ia ceder, a imobiliária se arrependeu de utilizar o índice EAOIEFOQQ e fez uma proposta de R$ 900,00/mês, dessa vez utilizando o índice EAOIEFMOMOQQ - "Eu Administro o Imóvel Então Faço Mais ou Menos o Que Quiser". 

Já estávamos com a desocupação em andamento então resolvemos ignorar essa nova proposta, até que a imobiliária ofereceu manter o aluguel da sala 1 sem nenhum reajuste, ou seja, pagaríamos os mesmos R$ 800,00/mês de aluguel que pagávamos antes, tudo com base no índice NDPADD - "Não Desocupa Pelo Amor de Deus".

Tarde demais. Ignoramos novamente e desocupamos a sala 1.
Adeus, sala 1
Passaram-se dois anos e a sala 1 jamais foi alugada novamente.

A sala fica permanentemente fechada e gerando prejuízo para a proprietária. Fazendo uma estimativa bem por alto mesmo, só de aluguel ela deixou de receber uns R$ 19 mil, e só de taxa condominial ela deve ter gasto mais de R$ 5 mil.



Há alguns meses atrás encontrei a proprietária da sala 1 em uma assembleia do prédio (eu voto com procuração dos proprietários das salas 2 e 3).

"Ain, Madruga, por que vocês desocuparam minha sala?", disse a proprietária.

Expliquei que desocupamos em razão do reajuste que a imobiliária tentou impor, completamente absurdo para aquele momento em que a vacância no prédio estava enorme e tinha neguinho alugando sala até por R$ 650,00/mês.

"Que reajuste?!", disse a proprietária da sala 1 com cara de susto.
A proprietária da sala 1 jurou pelas barbas do profeta que não sabia que a imobiliária tentou reajustar nosso aluguel, que não autorizou nada disso, que ela deveria ter sido consultada pela imobiliária, que nunca em sã consciência ela arriscaria perder um locatário de tantos anos dessa forma.

Ela estava realmente indignada, falando que ia processar a imobiliária que administra a sala 1, e de certa forma eu compreendo a indignação, já que a imobiliária fez uma tentativa desastrada de reajuste, perdeu o locatário e gerou prejuízo para a proprietária.

Mas que se dane, são águas passadas.


A novidade é que nessa semana a proprietária da sala 1 apareceu na minha empresa acompanhada de um advogado, e mais uma vez falou que pretende processar a imobiliária por ter dado causa ao fim da locação.

O advogado que acompanhava a proprietária explicou que pretende cobrar judicialmente da imobiliária os lucros cessantes, ou seja, quer que a justiça condene a imobiliária a pagar o valor correspondente ao período em que o imóvel ficou vazio quando poderia ter permanecido alugado para a minha empresa.

Enquanto escutava o advogado falando, uma pergunta pipocava em minha mente: E o que diabos eu tenho a ver com isso?
Foi aí que o advogado da proprietária perguntou se eu poderia colaborar com o processo, testemunhando a favor da proprietária, e repassando pra ele a notificação que a imobiliária nos enviou mandando desocupar caso não concordássemos com o reajuste.

Se tem algo que eu aprendi nessa vida é que não ganho absolutamente nada me metendo na briga dos outros. Aquela briga era entre a proprietária da sala 1 e a imobiliária que ela irresponsavelmente escolheu para administrar o imóvel dela, eu não tinha absolutamente nada a ver com aquilo, então falei pro advogado que preferia não me envolver.

O advogado fez cara de ânus e disse que ia me colocar como testemunha no processo de qualquer forma, e eu seria obrigado a comparecer em audiência e falar a verdade sob pena de cometer crime de falso testemunho blá blá blá.

Falei pro advogado pra ele fazer o que quiser, levantei, abri a porta e pedi que eles se retirassem. Ficou um climão desagradável no ar, eles saíram sem dizer nada e foram embora.

Depois que eles saíram, fiquei pensando na sucessão de merdas que nos levou àquele momento:

1) Certo dia alguém dentro da imobiliária acordou se achando o todo poderoso.
2) Isso fez minha empresa subitamente desocupar 1/3 do espaço físico.
3) Isso fez a proprietária do imóvel tomar um prejuízo de mais de vinte mil joesleys.
4) Isso fez a imobiliária não só perder uma cliente, como também ficar na mira de um processo judicial que eu sinceramente não sei quem vai ganhar (nem me importo).

Só consigo ver dois ganhadores nessa história: o advogado da proprietária da sala 1, que vai ganhar dinheiro pra atacar a imobiliária, e o advogado da imobiliária, que vai ganhar dinheiro para defender.

Nessas horas a gente entende por que o Dr. Honorários tinha aportes tão bons
Não sei qual lição tirar disso. A lição mais escancarada seria: escolha bem a imobiliária, e sempre fiscalize o trabalho dela por mais que você ache que escolheu a melhor imobiliária do universo.

Aquele abraço!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Crianças de 30 anos

Não tenho filhos nem planos de curto ou médio prazo de botar uma criança no mundo, mas, após ler um post do colega Investir para Viver, ando me perguntando o que eu tenho que fazer, caso um dia eu vire pai, para educar Madruga Júnior de uma forma que ele não se transforme num completo paspalho, tal qual algumas pessoas que eu conheço. 

Refiro-me especificamente a alguns ex-colegas de universidade que estão com 30 anos de idade e nunca fizeram absolutamente nada de útil na vida desde que terminaram a graduação, se encaixando já há muitos anos no conceito de NEET.

Exemplos: 

Gabriel tem 31 anos e, após concluir a graduação, nunca correu atrás de nenhum emprego, estando até a presente data a depender financeiramente dos pais, que bancam a habitação, o carro, as viagens, a vida social e as extravagâncias do filhinho (PlayStation 4, aeromodelos, smart-relógio etc).

Renato concluiu a graduação sem conseguir seu lugar ao sol no mercado de trabalho. Ele passou anos a fio sem trabalhar, sempre me dizendo que estava estudando para concursos (estudar para concurso é uma atividade legítima, mas também é a desculpa oficial de muita gente desocupada). Passaram-se oito anos desde a formatura e pelo que sei Renato nunca chegou nem perto de uma aprovação. 

Esses foram apenas dois exemplos, mas eu tô pra dizer pra vocês que conheço pelo menos mais umas 5 pessoas que passaram dos 30 anos e, por mais que tentem esconder isso, não fazem absolutamente nada na vida a não ser sugar o dinheiro dos progenitores.

E olha que estou falando apenas de NEETs! Se for contar também a galera com mais de 30 que trabalha mas ainda depende de ajuda dos pais pra se sustentar, esse número aumenta vertiginosamente.  

Bebês gigantes
Por mais que Madruga Júnior ainda não exista, e pra ser sincero eu nem decidi ainda se quero ter filhos, não consigo deixar de me perguntar o que eu tenho que fazer para impedir que minha cria se torne uma dessas crianças de 30 anos que eu conheço, que simplesmente não se deram conta que a idade chegou e que viver da mesma forma que viviam quando tinham 12 anos é um constrangimento.

Tô longe de ser um "case de sucesso" do sujeito de 30 anos que está com a vida resolvida, mas pelo menos posso me orgulhar de não parasitar ninguém, cumprir com todas as minhas obrigações e ainda sobrar uma bufunfa pra aportar no fim do mês. 

Fica a pergunta no ar: como criar adequadamente um filho?

Não tenho experiência nenhuma com criação de filho, mas existem algumas coisas que o meu pai fez comigo e com meu irmão que definitivamente considero como acertos:

1) Dar a real desde cedo

Desde que eu era bem novo e não tinha nenhuma preocupação na vida, meu pai sempre soltava comentários do tipo "não tenho dinheiro pra pagar universidade particular, você vai ter que passar em pública se quiser um bom emprego" ou "um dia você vai ter que se virar sozinho, não vai ter ninguém pra pagar suas contas, fazer comida, lavar roupa". 

Esse papo em nada atrapalhou minha infância e plantou na minha cabeça a ideia de que um dia eu iria ter que me virar, e se não me virasse estaria ferrado. 

Acredito que isso me deu um bom senso de responsabilidade, coisa que as crianças de 30 anos não têm até hoje, e contribuiu pra formação do caráter. 

2) Palmadas

As punições disciplinares variavam de acordo com a gravidade do ato cometido. Atos de baixa gravidade eram punidos com esporro, de média gravidade com castigo, e de alta gravidade com a boa e velha agressão física.

Punição final
Acredito que palmada é instrumento pedagógico e deve sim ser usada em casos graves. Não consigo imaginar uma criança xingando o pai ou a mãe e sendo punido com "vai ficar sem internet!!". Esse tipo de desproporcionalidade entre ofensa e punição cria crianças de 30 anos. 

3) Carro de presente?!

Tendo crescido num ambiente de classe média, lembro-me de uma galera mais velha festejando os 18 anos. Em algum momento a festa era interrompida para dar o presente pro aniversariante. Iam todos para o meio da rua e...

Tcharam!!!!!
Lá estava um carro, algumas vezes com essa faixa escrota, outras não. 

Acredito que, se você dá pro seu filho um trambolho que custa milhares de reais, você acaba dando pra ele também um belo exemplo de como o mundo não funciona. 

Lá está o moleque, com apenas 18 anos de idade, no conforto de um passivo ambulante que ele não teria a menor condição de pagar sozinho, com gasolina e manutenção que ele provavelmente também não banca.

Que lição isso passa para um moleque ainda em formação? Pra mim isso só serve para gravar no subconsciente da pessoa que talvez a vida não seja tão difícil assim, além de colocá-la numa enorme zona de conforto que não deveria existir nessa fase de recém-adquirida maioridade.

Sei que dar um carro de presente não significa que você vai transformar seu filho numa criança de 30 anos, o processo educacional leva décadas e é muito mais complexo que isso, mas também não consigo enxergar como uma simples coincidência o fato de que os 7 NEETs que me vieram em mente enquanto eu escrevo esse post ganharam carro de presente dos pais, rs.

Como eu fiz questão de frisar desde o começo do post, eu não tenho experiência alguma com criação de filho. O que eu quis compartilhar no post de hoje são coisas que meu pai botou em prática e acho que de uma forma ou de outra me ajudaram, e que pretendo pôr em prática também caso Madruga Júnior venha ao mundo.

E vocês, quantos NEETs conhecem? Têm alguma boa dica de criação de filhos para compartilhar? Alguma coisa que ajudou a formar o seu caráter?

Aquele abraço!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sacrifício

Em um post do mês passado falei sobre Jacob, o dono do blog gringo Early Retirement Extreme, que alcançou a independência financeira de uma maneira bem pouco convencional: reduzindo drasticamente as despesas ao ponto de ele viver em um trailer, não ter carro, usar as mesmas roupas por décadas e manter uma dieta chata e repetitiva, limitada à manutenção de um corpo saudável e funcional.


O post repercutiu bastante e a ampla maioria dos comentaristas (inclusive eu) pareceu chegar ao consenso de que o estilo de vida dele é extremo demais e que viver da forma que ele vive exigiria muitos sacrifícios.

Isso me pôs a refletir sobre a questão do sacrifício, pois é algo que nós acreditamos que existe quando analisamos a vida dele, mas que ele provavelmente não sente, já que escolheu voluntariamente viver daquela forma e está acostumado com isso.

A conclusão a que cheguei é que muitas vezes o sacrifício é algo relativo e está nos olhos apenas de quem analisa a vida do outro.

Por exemplo, quando escrevi o post com cinco dicas para viver sem carro, ficou bem claro nos comentários que bastante gente considera a vida sem carro um sacrifício.

De minha parte não sinto que estou fazendo sacrifício algum, muito pelo contrário, sacrifício para mim seria adicionar em minha vida preocupações que atualmente não existem, como por exemplo lidar com imbecis no trânsito, seguro, IPVA, a manutenção da rebimboca da parafuseta que não vai sair por menos de 500 temers, o preço da gasolina e coisas do gênero.

É aí que está a grande sacada:

Não é sacrifício se você não sente que está se sacrificando
Essa questão de sacrifício é bem psicológica, e se o exemplo do carro não foi claro o suficiente, uso outro: há alguns anos atrás resolvi que não tomaria mais refrigerante. Nos primeiros meses senti que estava fazendo um enorme sacrifício ao abrir mão da coca-cola que era tão presente em minha vida, mas com o tempo essa sensação foi diminuindo até desaparecer por completo, e atualmente eu tenho tanta vontade de beber refrigerante quanto tenho de beber desinfetante (nenhuma vontade).

Ainda assim, numa festa de aniversário de criança que rolou na semana passada, uma senhora que estava sentada na mesma mesa que eu notou minhas sucessivas recusas em aceitar refrigerante toda vez que o garçom oferecia, e foi aí que ela disse:

"Nossa, não sei como você consegue não beber, guaraná é bom demais"
Aos olhos da senhora, eu estava fazendo um sacrifício ao não beber refrigerante, enquanto pra mim isso não é sacrifício algum. Mais uma vez, o sacrifício está nos olhos de quem vê.

Existem muitos outros aspectos na minha vida que certamente muita gente enxerga como se fosse um sacrifício, como por exemplo morar em apartamento pequeno, aportar mais de 50% das receitas, andar de ônibus, não ostentar, enfim, várias coisas que costumam ser vistas como privação, mas que pra mim são completamente normais e não trazem nenhuma espécie de tristeza ou desgosto.

Isso me faz pensar ainda mais sobre o estilo de vida do Jacob. Por mais que eu o considere um cara extremo, compreendo que o conceito de sacrifício é relativo e que dá sim pra ser feliz daquela forma, se você se preparar mentalmente pra isso.

Muito embora eu não queira viver a vida que ele vive, acredito que o exemplo dele serve de inspiração para romper barreiras psicológicas e sociais que podem resultar em uma vida mais simples, mais saudável e menos onerosa.

Você não precisa mudar para um trailer e viver de atum e sopa de lentilha para seguir o exemplo do Jacob, mas pode olhar a vida simples que ele leva e se questionar se muitos dos hábitos que você tem na sua vida e que lhe consomem tempo, energia, saúde e dinheiro são realmente necessários.

Aquele abraço!

domingo, 11 de junho de 2017

Seu Madruga no Twitter!

Fala, galera, tudo bem?

Criei a conta @madrugainvest no Twitter, onde pretendo divulgar os posts do blog e comentar sobre banalidades cotidianas, filmes, livros, paqueras e muita diversão.

Sei que os tempos áureos dessa rede social já passaram, mas se por algum acaso você ainda tem conta no Twitter em pleno ano de 2017, me dá uma força:


PS1: Desativei os comentários do post de hoje pois escrevi só para divulgar o meu twitter mesmo.

PS2: Post novo aqui no blog acredito que na quinta-feira que vem.

Abraço!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Presentear e ser presenteado

Quanto mais penso no assunto, menos me agrada a convenção social de dar e receber presentes em datas comemorativas (aniversário, natal etc), ou em eventos do tipo amigo oculto (amigo secreto, amigo x, ou seja lá qual nome é usado aí no lugar em que você vive).

O que era um momento mágico durante a infância veio se transformando em um fardo na vida adulta, e não somente por conta do dinheiro que se gasta.

O principal motivo da minha implicância é que não vejo correlação entre comprar presente e demonstrar estima e consideração à pessoa presenteada. Claro que eu sei que quem me presenteia está na melhor das intenções, mas não sinto que era necessário comprar alguma coisa para demonstrar isso.

Se uma pessoa que você gosta está fazendo aniversário, por exemplo, você deve lembrar da data e desejar com sinceridade que ela seja feliz e que viva por muitos anos. Por algum motivo obscuro e para a alegria dos lojistas, convencionou-se que isso não é o suficiente, e que você deve também ir no Shopping para comprar algum troço para essa pessoa.
"Te considero pra caramba, toma aqui um sapatênis" (!?)
Tenho dificuldade em entender como a monetização da relação entre o presenteante e o presenteado em datas pré-estabelecidas contribui de alguma forma para o fortalecimento dos laços entre essas pessoas.

E acreditem se quiser, também não gosto de ganhar presente.

Não gosto pois nesse mundo não há ninguém mais qualificado que eu para saber o que eu quero comprar ou não. 

Assim sendo, se eu prezo por uma pessoa, não quero que ela perca tempo e dinheiro indo comprar alguma coisa pra mim, até porque existe uma possibilidade bem grande de acabar comprando algo que eu já tenho ou que não faria a menor questão de ter.

"Ah, Madruga, mas pelo menos você ganha o presente de graça, então não reclama!"

Ganho mesmo? Será?

A convenção social de presentear outra pessoa em datas comemorativas vem com um dever de reciprocidade embutido: se Catiúcia te deu um sapatênis de R$ 118,50 no seu aniversário, você fica com um dever moral de presenteá-la em valor semelhante quando o dia dela chegar.

A não ser que Catiúcia morra ou você ligue o foda-se pra convenção social em algum momento, o que você ganha de presente acaba se transformando em um dever/compromisso futuro de gastar dinheiro presenteado a pessoa que te presenteou.

No fim das contas, com esse lance de trocar presentes você acaba ficando no zero a zero, ou talvez pior que isso, pois existe sempre um risco de você ganhar um presente que não te agrada, ou de dar um presente que não agradou a pessoa.

Nessas duas hipóteses há perda de valor e desperdício de dinheiro, pois você gastou R$ 150 e a pessoa sente que aquilo não vale nem R$ 50, ou a pessoa gastou R$ 100 e você já se imagina vendendo aquilo na OLX por R$ 25. 

"Nossa. Obrigada. Adorei."
"Madruga, pra evitar desgosto eu digo pra pessoa exatamente o que eu quero ganhar de presente e vice-versa" 

De fato essa é uma boa estratégia para evitar ganhar presente ruim ou inútil, mas analisando friamente, isso nada mais é do que vocês emprestarem dinheiro um para o outro. No seu dia você quer X e ela banca, no dia dela ela quer Y e você banca.

Existe solução?

Pra evitar todo tipo de rusga que pode decorrer das situações narradas neste post, convencionei com as pessoas próximas um pacto em que ninguém me dá presente e eu não presenteio ninguém.

Devo dizer que tá todo mundo bem satisfeito com o pacto em questão, e ninguém gosta menos um do outro por conta disso. Pelo contrário, cada um tirou dos ombros o peso de gastar dinheiro, de perder tempo caçando presente e de sentir dúvida se o presente agradará ou não.

Claro que isso só se aplica às pessoas próximas com quem tive intimidade pra tratar desse assunto. Ainda estou sujeito às convenções sociais de presentear pessoas não tão próximas, o que diga-se de passagem acontece com mais frequência do que eu gostaria.

E vocês, pessoal, o que pensam disso? Como lidam com esse tipo de coisa? 

Aquele abraço!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Independência financeira "extrema"

Fala, galera, como estão todos?

Sumi um pouco do blog pois vim visitar minha mãe aqui nos confins do Brasil e não trouxe meu Notebook.

Sem nada melhor pra fazer aqui na casa da minha querida mamãe, resolvi ler o livro do blogueiro gringo Early Retirement Extreme.

Fiquei tão impressionado com o livro que resolvi escrever o post de hoje pelo celular mesmo.

Vou chamar o blogueiro em questão de Jacob daqui pra frente, pois ficar repetindo "Early Retirement Extreme" ao longo do post vai me cansar os dedos.

Jacob mora nos EUA e alcançou a independência financeira aos 30 anos de idade, tendo parado de trabalhar para viver de renda aos 33.

Para alcançar essa meta, ele seguiu a fórmula que todos nós já conhecemos muito bem: criou uma renda passiva que supera com segurança suas despesas.

O que me impressionou no Jacob é que, para criar esse "gap" entre renda passiva e despesas, ele reduziu pra caralho as despesas, num nível que podemos chamar de extremo (talvez isso explique o nome do blog dele - Early Retirement Extreme).

Vejam só: Jacob mora dentro de um trailer de vinte e poucos metros quadrados, não tem carro, não tem televisão, fabrica os próprios itens de higiene pessoal e limpeza, tenta conservar as mesmas roupas por mais de uma década e planta muito do que come.

Ele defende no livro que é possível viver bem com 1/3 ou 1/4 do que uma pessoa de classe média gasta sem passar necessidades/viver na pobreza.

Considerando que um custo de vida baixo é aliado da aposentadoria precoce, pergunto: o que você está disposto a fazer para alcançar sua independência financeira mais rápido?

O estilo de vida do Jacob me parece bem extremo e até mesmo impraticável (quem arrisca morar num trailer aqui no Brasil?), então a conclusão que cheguei é que não conseguiria ser feliz ou me sentir seguro levando a vida que ele leva.

Por mais que eu não compreenda como é possível ser feliz da forma que ele vive, sei bem que é possível ser feliz com pouca coisa.

Não tenho carro, moro num apartamento pequeno e tenho uma despesa mensal bem baixa. Estou longe de ser extremo como o Jacob, e acho que nem desejo ser, mas sou extremo o suficiente aos olhos de muita gente.

Eu vivo feliz dessa forma, acreditem se quiser, mas é claro que recebo olhares tortos de gente que acredita que, para eu "ajeitar minha vida", deveria liquidar meus bens, comprar um HB20 e alugar um apê de 3 quartos.

É que, nessa faixa etária que me encontro (+- 30 anos), tá todo mundo deslumbrado com o próprio poder aquisitivo e seguindo fielmente o script da inflação do padrão de vida.

Então por mais que eu não me identifique com o extremismo do Jacob, consegui me identificar com ele até certo ponto, e o livro me instigou a me perguntar o que mais posso fazer para reduzir minhas despesas.

E vocês, colegas, costumam pensar sobre isso?

O que acham da ideia de viver uma vida simples, fora do padrão de ostentação que faz a alegria dos vendedores de carros, imóveis e roupas caras?
O que vocês estão dispostos a abrir mão para alcançar a IF mais rápido?

Estão satisfeitos com suas despesas mensais?

Viver uma vida simples seria um sacrifício para vocês?

Aquele abraço!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Secretárias bizarras do Seu Madruga

Fala galera, tudo bem?

Pra quem ainda não sabe, tenho uma empresa cujo extenso quadro de empregados consiste em uma secretária.

Essa estrutura já foi maior em determinados momentos (já tivemos auxiliar administrativo, office boy, estagiário...), mas no fim das contas percebemos que uma secretária é o suficiente, o resto a gente se vira.

E porque uma secretária é tão imprescindível assim?

Para recepcionar clientes, atender telefone, preparar e servir café, manter o ambiente organizado, repor material de escritório, agendar reuniões, digitalizar ou fotocopiar documentos, enfim, esse tipo de coisa, tudo muito simples de se fazer.

Apesar de ser um trabalho tranquilo de se realizar e de pagarmos ligeiramente acima do valor de mercado, ao longo dos anos comemos o pão que o capiroto amassou para encontrar uma secretária decente

E o post de hoje é justamente sobre isso: as secretárias bizarras que passaram pela empresa do Seu Madruga.


Vamos a elas:

1) Gabriela, a estudante

Gabriela era uma simpática menina do interior que veio tentar a sorte na cidade grande.

Depois de alguns meses trabalhando como secretária na minha empresa, ela nos contou que iria começar a fazer um curso de graduação à noite, pois foi aprovada no vestibular do curso de administração em alguma uniesquina obscura, mas que isso em nada ia atrapalhar o trabalho dela na empresa.

Parabéns pela conquista, Gabriela
Meu sócio mais velho ficou bem comovido com esse esforço da menina em trabalhar e se qualificar para melhorar de vida, e propôs que nossa empresa desse uma ajuda de custo de R$ 500,00/mês para ela, contanto que ela conseguisse conciliar trabalho e faculdade e tirasse notas boas.

Nenhum dos sócios (eu, inclusive) concordou com essa ideia, então meu sócio mais velho decidiu que daria essa ajuda de custo por conta própria e com dinheiro vindo do bolso dele. Ele realmente estava determinado a ajudar a secretária, pois ele veio do mesmíssimo cafofo no interior que ela e queria ajudar a conterrânea.

Depois de um semestre pagando a tal ajuda de custo, meu sócio mais velho cobrou da secretária o desempenho dela no primeiro período de faculdade, para saber se ela estava cumprindo o compromisso de tirar boas notas.

Após perceber um comportamento furtivo da Gabriela em falar sobre esse assunto, meu sócio mais velho ficou desconfiado e foi à uniesquina para averiguar se ela realmente estava fazendo o tal curso de graduação em administração.

Como vocês já devem imaginar, a menina não estava cursando porcaria nenhuma. Ela até chegou a se matricular, mas depois disso não deu continuidade, nunca tendo pisado na sala de aula ou pago mensalidade.

A ajuda de custo paga por fora pelo meu sócio não estava sendo revertida em estudos, mas sim em baladinhas sertanejas nos fins de semana.

Como reagi quando soube
E o pior de tudo é que, todo dia às 18 horas, Gabriela ia embora e a gente se despedia desejando uma boa aula, acreditando que ela estava indo estudar após um longo dia de trabalho.

Depois de um vacilo desses não foi possível mantê-la em nossa empresa, então demitimos ela sem justa causa.

2) Brenda, a secretária relâmpago

Depois de demitir Gabriela, fizemos um contrato de experiência com Brenda.

Brenda começou a trabalhar numa segunda-feira e, na quarta-feira da mesma semana, apareceu na empresa com o dedo indicador de uma das mãos fraturado e um atestado médico afastando-a do trabalho por um mês. UM MÊS.
 
Pode isso, Arnaldo? Eu não faltei ao trabalho nem quando estava com um braço inteiro imobilizado, e a menina quer ficar fora um mês por causa de um dedo?
Não lembro bem os pormenores dessa situação, só sei que mandamos ela catar coquinhos cuidar do dedo fraturado bem longe de nossas vidas e nunca mais a vimos.

3) Scheila e o marido invasor

Não vou entrar em detalhes sobre Scheila pois já escrevi um post contando tudo o que aconteceu. Mas resumindo: num domingo aleatório fui na minha empresa e flagrei o marido dela furtando nosso material de escritório.

4) Ivone, a mamãe

Ivone tinha uns 25 anos de idade, era casada e tinha um filho bebê.

Ela disse na entrevista de emprego que o filho bebê não seria um problema para a empresa, pois a avó da criança morava ao lado e adorava cuidar dela.

Votei contra a contratação de Ivone por conta do filho bebê, mas meus sócios decidiram contratá-la, acreditando que a vovó-babá cuidaria da criança e que Ivone se sentiria compelida a trabalhar direito, afinal tinha um filho para sustentar.


Ivone fez tudo dentro do esperado durante o contrato de experiência, então efetivamos a contratação.

Foi só contratar de forma definitiva que veio a primeira falta por motivo de "filho passou mal e tive que levar no hospital". 

Depois disso, faltas por motivos de "filho doente" começaram a se tornar recorrentes, primeiro uma vez a cada duas semanas, depois semanalmente, depois vários dias seguidos numa mesma semana. 

Eu avisei que ia dar merda, não avisei?
Já estávamos decididos a demiti-la quando, mais uma vez, Ivone faltou ao trabalho sob o pretexto de que o filho estava passando muito mal e ela teria que ficar em casa cuidando dele.

Quando a secretária falta, sou eu quem puxa e atende todos os telefonemas. Foi aí que recebi a seguinte ligação:

Pessoa desconhecida: Alô, bom dia. Aí é da empresa X?
Madruga:  Sim. 
Pessoa desconhecida: Poderia me informar se a Ivone trabalha aí?
Madruga: Quem está falando?
Pessoa desconhecida: Aqui é da loja Y. A Ivone está aqui fazendo um crediário, e preciso confirmar se ela realmente trabalha aí, pra completar o cadastro dela. 
Madruga: A Ivone tá aí?
Pessoa desconhecida: Sim.
Madruga: Fazendo compras?
Pessoa desconhecida: Sim. 
Madruga: Ela não trabalha aqui não.

Vejam só que safada, faltando sob o pretexto de que o filho estava doente, mas lá estava ela comprando tralhas em 48x no crediário. 

Mais uma.
Depois de vários perrengues, felizmente conseguimos encontrar uma excelente secretária. Ela é muito profissional, comprometida com o trabalho e veste a camisa da empresa. Ela é provavelmente bem mais dedicada à empresa do que eu seria se estivesse no lugar dela.

Mas enfim, o post de hoje foi totalmente despretensioso, só para compartilhar essa pequena experiência de empreendedorismo da vida real, a se contrapor um pouco ao empreendedorismo que vendem na televisão onde tudo funciona bem e dá maravilhosamente certo.

Aquele abraço!

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